O procurador-geral da República, Paulo Gonet, encaminhou ao ministro Alexandre de Moraes uma manifestação sugerindo que parte das investigações relacionadas ao caso conhecido como “Abin Paralela” seja enviada à primeira instância da Justiça.
O entendimento da Procuradoria-Geral da República é que os fatos ainda pendentes de análise não possuem relação direta com autoridades detentoras de foro privilegiado nem com os episódios ligados à suposta tentativa de ruptura institucional investigada pelo Supremo Tribunal Federal.
Entre os pontos citados no parecer estão apurações que atingem o ex-vereador Carlos Bolsonaro.
Investigação já gerou ações no STF
Segundo Gonet, a parcela da investigação relacionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos fatos associados à suposta trama golpista já foi integralmente utilizada em ações penais e procedimentos conduzidos pelo Supremo.
O procurador relembra que diligências realizadas ao longo da investigação, como buscas e apreensões, quebras de sigilo e oitivas, serviram de base para processos envolvendo Bolsonaro, Alexandre Ramagem, Giancarlo Gomes Rodrigues e Marcelo Araújo Bormevet.
De acordo com a manifestação, os elementos relacionados a esses investigados já foram incorporados às acusações e aos julgamentos realizados pela Corte.
O que diz a PGR
No documento enviado ao STF, Gonet sustenta que os fatos remanescentes envolvem principalmente possíveis infrações contra a administração pública decorrentes de violações de deveres funcionais.
Para o procurador-geral, esses episódios não justificam a manutenção da competência do Supremo para conduzir as investigações.
Segundo o parecer, os fatos pendentes “não guardam relação imediata com a autoridade detentora de foro especial ou com a sua finalidade antidemocrática”, argumento utilizado para defender a remessa dos autos à Justiça de primeira instância.
Origem do caso
A investigação da chamada Abin Paralela teve início após revelações feitas pelo jornal O Globo, em março de 2023, sobre a aquisição e utilização do sistema de monitoramento conhecido como FirstMile.
A ferramenta permitia rastrear a localização de alvos específicos por meio de vulnerabilidades na rede de telefonia celular.
As investigações apontaram suspeitas de que a estrutura teria sido utilizada para monitoramento irregular de autoridades, adversários políticos e outras pessoas de interesse do grupo investigado.
Indiciamentos
A Polícia Federal concluiu o inquérito em 2025 apontando indícios da prática de crimes como organização criminosa, invasão de dispositivo informático, interceptação telefônica clandestina, violação de sigilo funcional, embaraço à investigação, corrupção passiva e prevaricação.
Ao final dos trabalhos, 36 pessoas foram indiciadas.
Entre os nomes que teriam sido monitorados irregularmente, segundo as investigações, estão o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, além dos ministros Luiz Fux, Dias Toffoli e o próprio Alexandre de Moraes.
Também teriam sido alvo de monitoramento o deputado federal Arthur Lira e o ex-presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia.






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