A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o apagão que atingiu várias regiões do país escancarou a fragilidade do sistema de transmissão de energia no Brasil. A declaração foi feita nesta terça-feira (14), durante evento na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
Segundo Magda, o episódio é mais um reflexo dos entraves que o setor enfrenta, especialmente no licenciamento ambiental de novas linhas de transmissão. “Temos desafios a enfrentar. Não podemos falar em eletrificação, data centers e transição energética sem tratar das linhas de transmissão. Quem vai pagar e quem vai licenciar essas obras? Sem isso, não tem elétron”, afirmou.
Ela destacou que o apagão foi “relevante” e que os problemas costumam ocorrer “nas pontas do sistema”, onde há mais instabilidade e dificuldade técnica. De acordo com a executiva, cerca de 70% das obras de transmissão estão atrasadas por questões de licenciamento.
Investimentos travados
O Plano Decenal de Expansão de Energia 2034, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), prevê investimentos de R$ 128 bilhões em novas linhas até 2034, totalizando mais de 25 mil quilômetros. Magda defendeu que o país precisa acelerar esse cronograma para sustentar o avanço da eletrificação e o crescimento econômico.
Durante o evento, ela também reforçou a importância da retomada da produção na Margem Equatorial, região que abriga reservas promissoras de petróleo e gás e cuja exploração ainda depende de licença do Ibama. “Não é incompatível desenvolver a Margem Equatorial enquanto se discute a COP30. A busca por bem-estar social também faz parte da pauta climática”, declarou.
Defesa do Norte Fluminense
A presidente da estatal aproveitou para cobrar incentivos específicos ao Norte Fluminense, principal polo do pós-sal brasileiro. Segundo ela, as mudanças promovidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) na metodologia do preço de referência do petróleo acabaram desfavorecendo os produtores da região.
“O Norte Fluminense ficou desassistido. Lá está o pós-sal, com óleo pesado, de bacia madura, que precisa de suporte. Temos projetos conhecidos e em operação, que geram receita e emprego. Não podemos deixar essa produção para trás”, afirmou.
Magda lembrou que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) havia determinado medidas de estímulo a campos maduros, mas a ANP “não tratou do incentivo na prática”. Ela pediu que o tema volte à pauta, ressaltando que a região não pode ser esquecida num momento em que o país busca consolidar sua transição energética.






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