Aluguel no Rio dispara 38% em três anos com oferta cada vez menor

A redução de 31,8% na oferta de imóveis para locação tradicional, os juros elevados e o avanço das locações por temporada impulsionam os preços em diversos bairros da capital

Encontrar um imóvel para alugar no Rio de Janeiro se tornou uma missão cada vez mais difícil. Além da escassez de opções, quem procura uma nova residência enfrenta preços mais altos e uma concorrência crescente pelos imóveis disponíveis. A combinação entre a redução da oferta, o avanço das locações por temporada e os juros elevados vem transformando o mercado imobiliário da capital fluminense.

Dados do Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi Rio) revelam que a oferta de imóveis destinados à locação tradicional caiu 31,8% entre 2023 e 2026, diminuindo significativamente as alternativas para quem busca contratos de longo prazo. Com menos unidades disponíveis e uma demanda aquecida, o resultado tem sido uma forte valorização dos aluguéis em diferentes regiões da cidade.

Menos imóveis e mais disputa

A dificuldade já faz parte da rotina de muitos moradores. O produtor cultural Gustavo Canella afirma que há meses procura um apartamento na Tijuca, após já ter morado na Zona Sul, no Centro e atualmente viver em Vila Isabel.

Segundo ele, encontrar imóveis para locação tradicional tem sido cada vez mais complicado. Muitos anúncios disponíveis nas plataformas digitais oferecem apenas contratos de curta temporada, normalmente mobiliados e com preços considerados elevados.

De acordo com o vice-presidente do Secovi Rio, Leonardo Schneider, a redução da oferta explica boa parte da valorização registrada nos últimos anos. Com menos imóveis disponíveis, cresce a disputa entre os interessados, pressionando os preços dos novos contratos. Já os contratos vigentes continuam seguindo os índices de reajuste previstos em cada negociação.

Turismo fortalece aluguel por temporada

Outro fator apontado pelo mercado é o crescimento do turismo na cidade.

Segundo a Prefeitura do Rio, em 2025 a capital recebeu 10,5 milhões de turistas brasileiros e 2,1 milhões de visitantes estrangeiros, movimento que estimulou muitos proprietários a migrarem seus imóveis para plataformas de aluguel por temporada.

Na avaliação do presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Leonardo Mesquita, esse movimento reduz ainda mais a quantidade de imóveis disponíveis para contratos tradicionais.

O impacto é mais evidente na Zona Sul, região que concentra boa parte da demanda turística. Com isso, bairros tradicionalmente valorizados registram preços ainda mais elevados.

Leblon continua liderando os preços

Os dados do Data Secovi mostram que o Leblon permanece como o bairro com o metro quadrado de aluguel mais caro do Rio, alcançando R$ 129,10. Na sequência aparecem Ipanema, com R$ 124,97, e Lagoa, com R$ 89,64.

Entre os dez bairros mais caros para alugar um imóvel, oito estão localizados na Zona Sul. Barra da Tijuca e Centro completam a lista.

Entretanto, a valorização não se limita às regiões mais nobres. Corretores também identificam aumentos importantes em bairros como Tijuca, Méier, Vila Isabel, Taquara e Santa Cruz.

Quando o critério é a valorização percentual nos últimos 12 meses, o Centro lidera, com alta de 34,9%, seguido por Jardim Botânico (31,7%), Lagoa (26,1%), Botafogo (21,9%) e Vila Isabel (18,5%).

Juros altos dificultam compra da casa própria

Especialistas também atribuem parte da pressão sobre os aluguéis ao atual cenário dos juros.

Com financiamentos imobiliários mais caros, muitas famílias adiam o sonho da casa própria e permanecem no mercado de locação. O aumento da procura, sem expansão equivalente da oferta, contribui para manter os preços elevados.

Segundo o presidente do Creci-RJ, Wilson Martins, a influência da taxa Selic se estende por toda a cidade. Para ele, quem não consegue comprar um imóvel continua buscando alternativas no mercado de aluguel, fortalecendo a demanda.

Enquanto isso, os preços de venda dos imóveis cresceram em ritmo mais lento. Levantamento do índice FipeZAP mostra que, nos últimos três anos, os aluguéis acumularam alta de 38,09%, enquanto os valores de venda avançaram apenas 11,34%.

Tendência ainda é de pressão sobre os preços

Além dos fatores econômicos, representantes do setor destacam mudanças no comportamento da população, como a preferência por maior mobilidade, a busca por morar em bairros onde comprar um imóvel é inviável e a opção por investir recursos em aplicações financeiras.

Dados do IBGE mostram que a parcela de brasileiros vivendo em imóveis alugados passou de 18,4% em 2016 para 23,8% em 2025. No Rio de Janeiro, entidades do setor estimam que esse percentual já esteja próximo de 28%.

Para especialistas, enquanto a oferta de imóveis para locação tradicional continuar reduzida e os juros permanecerem elevados, a tendência é que os aluguéis continuem pressionados em diferentes regiões da cidade.

*Com informações do g1

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