Chefe do CV, Marcelo Piloto tem pena aumentada para 28 anos por morte de jovem no Paraguai

Decisão do TRF2 elevou de 24 anos e 9 meses para 28 anos, 1 mês e 15 dias a pena pelo assassinato de uma jovem em um presídio no Paraguai, em 2018; defesa contesta a decisão e diz que vai recorrer ao STJ

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Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, o Marcelo Piloto, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho (CV), teve a pena aumentada para 28 anos, 1 mês e 15 dias de prisão, em regime fechado, pelo assassinato de uma jovem de 18 anos no Paraguai. A decisão foi tomada por unanimidade pela 1ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2).

Em 2025 o traficante já havia sido condenado pelo Tribunal do Júri Federal a 24 anos e 9 meses de prisão pelo homicídio triplamente qualificado de Lidia Meza Burgos, em 2018. Na decisão que aumentou a pena, os desembargadores rejeitaram o recurso da defesa de Piloto contra a condenação e acataram em parte um recurso do Ministério Público Federal (MPF) para elevar a pena.

Entre os pontos considerados pelo tribunal está uma avaliação negativa da personalidade do réu. Segundo o voto, entrevistas concedidas por Piloto a veículos de comunicação paraguaios indicariam que ele demonstrava orgulho de sua atuação criminosa e se vangloriava da impunidade.

Para a relatora do caso, a desembargadora federal Geraldine Vital, esses elementos revelariam “insensibilidade acentuada, desprezo deliberado pelas instituições e ostentação da impunidade”. Também foram consideradas as agravantes da reincidência, da dissimulação e da finalidade de assegurar a impunidade de outros crimes.

Crime teria sido motivado para evitar extradição

Marcelo Piloto foi condenado pelo assassinato da jovem em novembro de 2018. O crime ocorreu no local onde ele estava preso, em um quartel da Polícia Nacional do Paraguai, em Assunção.

Segundo a denúncia do MPF, Lidia foi atraída ao local sob o pretexto de que Piloto queria contratar seus serviços como garota de programa. A jovem foi atacada com 53 golpes de faca e chegou a ser socorrida, mas não resistiu.

A acusação sustentou que o homicídio teria sido cometido como parte de uma tentativa de impedir a extradição de Piloto para o Brasil, onde ele já respondia por outros crimes.

Preso no Paraguai desde dezembro de 2017, após anos foragido, Marcelo Piloto foi entregue às autoridades brasileiras no mesmo mês do crime contra a jovem. Desde então, ele cumpre pena no sistema penitenciário federal.

Defesa diz que vai recorrer

Os advogados de Marcelo Piloto contestam a decisão do TRF2. A defesa de Marcelo Piloto, representada pela advogada Flávia Froes, contesta a decisão do TRF2 e diz que irá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STF) para tentar um novo júri.

“Houve um erro no acórdão, a desembargadora violou a decisão do conselho de sentença que absolveu o réu de uma das qualificadoras. Opusemos hoje embargos de declaração e a decisão será corrigida. Vamos recorrer ao STJ para buscar a realização de novo júri.”

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