Na Folha, aliados de Bolsonaro e Lula avaliam que debate estancou desgastes de cada campanha

Aliados de Bolsonaro e de Lula avaliaram, nesta madrugada, que o debate na Globo foi positivo para estancar focos de desgaste vividos em cada campanha. Segundo a Folha de S. Paulo, estrategistas de Bolsonaro disseram acreditar que o candidato conseguiu esclarecer que não pretende acabar com benefícios de trabalhadores, como 13º salário, férias e hora…

Aliados de Bolsonaro e de Lula avaliaram, nesta madrugada, que o debate na Globo foi positivo para estancar focos de desgaste vividos em cada campanha.

Segundo a Folha de S. Paulo, estrategistas de Bolsonaro disseram acreditar que o candidato conseguiu esclarecer que não pretende acabar com benefícios de trabalhadores, como 13º salário, férias e hora extra. Além disso, aproveitou a oportunidade de reforçar a promessa de dar ganho real ao salário-mínimo no próximo ano.

Na campanha de Lula, a avaliação é de que o candidato demonstrou segurança, conseguiu dialogar com o eleitorado mais religioso – segmento em que enfrenta dificuldades – e venceu um debate que era suficiente empatar.

A campanha de Bolsonaro diz que o presidente foi bem ao insistir no tema do salário-mínimo no primeiro bloco. A avaliação de aliados é que a ideia do ministro da Economia, Paulo Guedes, de desindexar o salário-mínimo, foi o tema mais prejudicial a Bolsonaro e produziu impacto negativo maior até do que a ação terrorista do ex-deputado Roberto Jefferson e a afirmação presidencial de que havia “pintado um clima” num encontro com adolescentes venezuelanas. Por isso, Bolsonaro abriu sua participação no debate com a promessa de aumentar o salário-mínimo de R$ 1.212 para R$ 1.400 em 2023.

A campanha bolsonarista também foi animada pelo fato de ele voltar a destacar a questão da corrupção e as condenações de Lula – anuladas pelo STF.

Na campanha do PT, a avaliação é de que Lula venceu o debate ao mostrar segurança e estabilidade para consolidar votos. A assessoria de Lula diz que seu adversário pareceu nervoso, provocador e se comunicou com sua própria base, enquanto Lula tentou falar “para fora”.

No primeiro bloco, integrantes da campanha dizem que Lula deu alguns tropeços. O ex-presidente disse que não assiste ao próprio programa eleitoral e deixou de citar que a ideia de alterar a forma de cálculo do salário mínimo foi do ministro Paulo Guedes.

A informação de que Guedes discutiu proposta que permitiria reajustar o mínimo abaixo da inflação só foi levantada por Lula no segundo bloco. Isso, porém, não abalou a análise de indecisos sobre o debate, de acordo com levantamentos internos do PT.

Um ponto positivo apontado por aliados foi o fato de o petista ter levantado o tema do aborto para dizer que Bolsonaro defendeu em entrevista em 1992 distribuir uma “pílula de aborto” para as pessoas.

Lula aproveitou a ocasião para se dizer contra o aborto e tentar gerar trechos que possam ser explorados nas redes sociais. O vídeo com a fala de Bolsonaro daquele ano, por exemplo, já foi resgatado pela campanha.

Integrantes da campanha petista dizem ainda que Lula aproveitou o debate para criar uma vacina no tema de costumes, seara que é amplamente usada por Bolsonaro para atacar o adversário. A expectativa é que, na véspera da eleição, Lula seja alvo de uma série de ataques e fake news ligadas a assuntos religiosos, daí a necessidade de se antecipar nessa discussão.

Além da fala sobre aborto, Lula fez diversas referências a Deus.

O petista também se saiu melhor neste debate em relação ao anterior, na TV Band, nas respostas sobre corrupção, tema considerado um calo no sapato de Lula.

“Lula foi bem, colocou a pauta na maioria do tempo, falou da vida do povo, de propostas e do que fez. Nos grupos de [pesquisas] qualitativas, ganhou a maioria”, avalia a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR).

Para o deputado José Guimarães (PT-CE), um dos coordenadores da campanha, o ex-presidente tratou do tema de aborto “para não deixar a pauta dos costumes ficar na mão” de Bolsonaro.

“Eu acho que o Lula conseguiu passar segurança e isso gera estabilidade na reta final. Não discutiu muito as ideias porque com o Bolsonaro não dá para discutir. Saiu muito melhor do que no outro”, disse.

“Bolsonaro demonstrou insegurança, nervosismo e uma certa postura de perdedor. O Lula estava bem seguro, preparado. E isso não é avaliação de um membro do time. Debater com Bolsonaro é jogar xadrez com pombo. O pombo está perdendo e ele derruba o tabuleiro de xadrez”, afirmou o senador Randolfe Rodrigues.

Entre jornalistas que avaliaram o debate, predomina a opinião de que Lula saiu em vantagem. Gerson Camarotti, da Globo, diz que o debate ficou zero a zero e que isso beneficia Lula, que tem alguns pontos de vantagem sobre Bolsonaro nas pesquisas de intenção de voto. Na avaliação de Igor Gielow, da Folha, “com 2% de indecisos e 5% de nulos ou branco, que sempre pode mudar de lado, o debate não teve cheiro de definitivo para ninguém. Ao fim, um empate miserável para o público, no qual ninguém se esborrachou. Sendo assim, ganhou Lula, em termos políticos puros”.

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