Alerj aprova projeto para atender pessoas que abrigam animais de forma compulsiva

Projeto aprovado em segunda discussão prevê atendimento psicológico, ações preventivas e proteção de animais mantidos em condições inadequadas

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

O que começa como uma tentativa de acolher animais abandonados pode, em determinadas situações, transformar-se em um problema de saúde mental e assistência social. Para enfrentar casos de acumulação compulsiva de cães, gatos e outros animais, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou em segunda discussão, nesta terça-feira (13), um projeto de lei que estabelece uma política estadual de cuidados às pessoas afetadas pela chamada Síndrome de Noé.

De autoria do deputado Jorge Felippe Neto (PL), o projeto de lei 1.251-A/23 propõe uma abordagem que combina prevenção, conscientização, acompanhamento psicológico e proteção dos animais. Com a aprovação definitiva pelos deputados, a medida segue para sanção ou veto do governador.

A proposta busca estabelecer diretrizes para o atendimento de pessoas que acumulam um número excessivo de animais, mesmo quando não possuem condições de garantir alimentação, higiene, espaço e cuidados veterinários adequados. O texto também prevê ações para reduzir os riscos à saúde dos envolvidos e assegurar melhores condições de bem-estar aos animais encontrados nessas situações.

Entenda o que é a Síndrome de Noé

A chamada Síndrome de Noé é uma denominação utilizada para descrever situações de acumulação compulsiva de animais. O comportamento é caracterizado pela manutenção de uma quantidade excessiva de animais, acompanhada da dificuldade de reconhecer ou atender às necessidades básicas deles.

Em muitos casos, a pessoa afetada acredita estar protegendo os animais, mas a quantidade acumulada pode ultrapassar sua capacidade de oferecer os cuidados necessários.

A situação pode resultar em ambientes com problemas de higiene, alimentação insuficiente, ausência de acompanhamento veterinário e dificuldades de convivência, além de riscos à saúde dos moradores e dos próprios animais.

O problema envolve, principalmente, a incapacidade de assegurar condições adequadas de cuidado e as dificuldades relacionadas ao comportamento de acumular. Por isso, a proposta aprovada na Alerj prevê medidas que vão além da retirada dos animais, incluindo atenção às necessidades de saúde e assistência social das pessoas envolvidas.

Profissionais poderão receber capacitação

Uma das diretrizes estabelecidas pelo projeto é a realização de campanhas educativas para informar a população sobre a acumulação compulsiva de animais e reduzir o preconceito contra pessoas afetadas pela condição.

A proposta também prevê a capacitação de profissionais das áreas de saúde, assistência social, educação e segurança pública para identificar possíveis casos e atuar de maneira adequada.

O objetivo é permitir que situações de risco sejam reconhecidas e encaminhadas aos serviços competentes, levando em consideração tanto as necessidades da pessoa quanto a proteção dos animais.

O texto estabelece ainda a possibilidade de desenvolver programas preventivos, com orientação e suporte a indivíduos que apresentem sinais de risco para o comportamento de acumulação.

As ações poderão envolver atividades informativas e estratégias de acompanhamento destinadas a evitar o agravamento das situações identificadas.

Rede de apoio reunirá diferentes áreas

Outro ponto da proposta é a criação e o fortalecimento de redes multidisciplinares de atendimento, envolvendo profissionais de saúde mental, assistência social e proteção animal.

A intenção é promover uma atuação integrada, considerando que os casos de acumulação compulsiva podem exigir intervenções de diferentes serviços públicos.

Enquanto profissionais de saúde poderão atuar na avaliação e no acompanhamento das pessoas afetadas, equipes de assistência social poderão identificar necessidades de suporte e condições de vulnerabilidade.

Já os serviços de proteção animal poderão contribuir para a avaliação das condições em que os animais são mantidos e para a definição das medidas necessárias à preservação de seu bem-estar.

O projeto também permite a participação de organizações não governamentais e entidades da sociedade civil na implementação das ações, por meio de parcerias com o poder público.

A proposta, entretanto, estabelece diretrizes gerais e não detalha a quantidade de equipes que deverão ser criadas, os recursos financeiros necessários ou um cronograma específico de implantação.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo