Gleisi aumentará a pressão por vice de Paes e oficializará dissidência caso proposta seja rejeitada

A parlamentar, que também é presidente nacional da legenda de Lula, ficou de pedir um encontro com Paes nesta semana

Caio de Santis (correspondente do blog em Brasília)

A ala do PT que defende a indicação de um nome do partido para vice de Eduardo Paes vai aumentar a pressão sobre o atual prefeito do Rio para que a vaga não fique com o seu fiel escudeiro, o deputado Pedro Paulo. Na noite de ontem, lideranças de partidos do campo da esquerda, como o próprio PT, Solidariedade e o PDT, estiveram em uma reunião, em Brasília, convocada pela deputada Gleisi Hoffmann.

A parlamentar, que também é presidente nacional da legenda de Lula, ficou de pedir um encontro com Paes nesta semana. Na reunião, ela vai formalizar a ideia de criar uma dissidência interna de apoio à candidatura de Tarcísio Motta, caso André Ceciliano ou Adilson Pires não fiquem com a vice.

Dentro do partido, a aposta é que Lula seguirá apoiando Paes, mesmo que não consiga o direito à indicação do 02 da prefeitura. O marido de Gleisi, o também deputado petista Lindbergh Farias, é um dos principais entusiastas da ideia de apoiar Tarcísio, caso o vice não seja de um correligionário de Lula. E é aí que entra uma estratégia já debatida no PSD: o partido de Gilberto Kassab pode propor a resolução da questão com os petistas apenas em 2026.

É que o próprio Lindbergh quer ser candidato ao Senado pelo PT em 2026, ano em que Paes deve deixar a prefeitura com seu vice e se lançar ao governo. Desta forma, para conter a dissidência dos petistas neste ano, tem que defenda no PSD que Paes tenha André Ceciliano como vice em 2026 e apoie a candidatura de Lindbergh Farias ao Senado.

A ala petista que quer exigir a indicação do vice já nessas eleições se mostra reticente à ideia e lembra que Pedro Paulo votou pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Na avaliação deles, não existem garantias de que Paes estará ao lado de Lula daqui a dois anos.

Já os pessedistas argumentam que ao apoiar Tarcísio Motta, o PT pode estar reproduzindo o “efeito Freixo”, no qual o partido passou anos apoiando um nome do Psol, sem fortalecer os seus quadros. Pensar em 2026, portanto, seria uma estratégia mais sólida, enquanto projeto.

Desde ontem o nome de Pedro Paulo se fortaleceu para vice: a pesquisa Quaest, divulgada nesta terça, mostrou de modo inequívoco que, neste momento, a aproximação de Paes com o presidente Lula lhe retira votos ao invés de acrescentar.

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