A agência Outsider Tours, especializada em eventos de futebol, também se tornou especialista em “driblar” credores, conforme revelam documentos judiciais. A empresa enfrenta mais de 400 ações na Justiça, além de inquéritos policiais em 14 estados.
Decisões judiciais e especialistas ouvidos pelo g1 destacam alguns pontos sobre a atual situação da empresa:
- Uso de uma ou mais empresas para continuar recebendo pagamentos de novos clientes, evitando arrestos judiciais.
- Dificuldade dos credores em localizar representantes da empresa ou encontrar endereços.
- Venda de pacotes para grandes eventos esportivos até 2026, apesar das dívidas e indenizações pendentes de clientes que venceram ações em 2022.
Em um dos processos, as dívidas e indenizações cobradas somam R$ 4 milhões.
A empresa está localizada no Centro do Rio de Janeiro. O único sócio é Fernando Sampaio de Souza e Silva, principal alvo de reclamações relacionadas aos pacotes de viagens vendidos para a final da Libertadores de 2022, em Guayaquil, no Equador. Naquela ocasião, a principal queixa foi a falta de lugares nos voos adquiridos.
Reclamações semelhantes ocorreram na final da Champions League deste ano, onde clientes relataram não ter recebido os ingressos até a hora da partida. Muitas dessas reclamações se transformaram em ações judiciais, algumas das quais ainda estão pendentes. A empresa afirma estar trabalhando para resolver essas questões judiciais.
Apesar dos problemas, a Outsider Tours continua vendendo pacotes para eventos futuros, como a final da Libertadores de 2024, partidas da NFL no Brasil, o Mundial de Clubes de 2025 e a Copa do Mundo de 2026.
Fernando Nascentes, um dos clientes prejudicados, comprou pacotes para ele e seu filho de 15 anos para a final de 2022. Ele relatou que seus nomes não estavam na lista de passageiros do voo, e só conseguiram embarcar após oito horas no aeroporto do Galeão.
O problema mais grave, no entanto, foi com o transfer de ida e volta do aeroporto de Guayaquil para o estádio, pelo qual Fernando pagou R$ 2 mil. O transfer simplesmente não existia, e o dinheiro não foi devolvido. Embora o processo judicial tenha sido procedente e não houve recurso, a empresa continua vendendo pacotes, causando novos transtornos.
Mesmo acumulando dívidas, a empresa patrocina clubes de futebol e jornalistas especializados no tema. Informações de processos judiciais indicam que uma outra empresa, a Turisport, está emitindo recibos de pagamento para a Outsider. A Turisport foi criada em abril de 2023, meses após os problemas nas viagens para Guayaquil.
Desde a final da Libertadores de 2022, pelo menos 15 investigações foram abertas contra Fernando Sampaio e a Outsider Tours em diversas delegacias da Polícia Civil, por acusações de estelionato. Ao menos quatro inquéritos foram encaminhados ao Ministério Público do Rio.
O g1 conversou com dois clientes que receberam pagamentos: um fez um acordo e recebeu o valor da dívida, enquanto o outro teve a primeira parcela depositada com um dia de atraso. Na época, as empresas que firmaram compromisso com a Outsider para garantir os voos para Guayaquil afirmaram que nunca foram pagas.
Procurada, a empresa reconheceu as dívidas com instituições bancárias e clientes, e afirmou estar trabalhando “diariamente para resolver essas pendências”, acrescentando que muitas situações já foram resolvidas. Segundo a Outsider, R$ 2 milhões foram estornados nos cartões de crédito dos clientes, além de PIX e créditos de viagens, totalizando mais R$ 1 milhão em estornos referentes aos problemas em Guayaquil.
A Outsider afirmou ainda que o Ministério Público concluiu que não houve crime em Guayaquil. A empresa disse ter gasto R$ 11 milhões para garantir voos extras, transportando 1,8 mil passageiros para a sede da final da Libertadores.
Com informações do G1.





