O empresário Fernando Sampaio de Souza e Silva, de 36 anos, dono da agência Outsider Tours, foi preso preventivamente nesta terça-feira (6) em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina. A detenção foi realizada pela Polícia Civil catarinense, com base em mandado expedido pela Justiça do Pará, no âmbito de investigações por estelionato envolvendo a venda de pacotes de viagens supostamente não entregues.
Segundo levantamento do g1, Sampaio e empresas ligadas a ele acumulam mais de 600 processos judiciais e registros de ocorrência em ao menos 21 estados e no Distrito Federal. As queixas se concentram em problemas recorrentes na entrega de passagens, hospedagens e ingressos para grandes eventos esportivos no Brasil e no exterior.
Ascensão e primeiros alertas
Fundada no Rio de Janeiro, a Outsider Tours ganhou projeção nacional ao oferecer pacotes para finais de campeonatos de futebol e competições internacionais. O primeiro grande alerta ocorreu em 2022, quando clientes que haviam comprado viagens para a final da Libertadores, em Guayaquil, não conseguiram embarcar, gerando tumultos em aeroportos.
Processos indicam, porém, que reclamações já existiam antes. Em 2019, um casamento na Tailândia teria enfrentado falhas graves na logística contratada com a agência, incluindo problemas na emissão de passagens e reservas de hotel para convidados.
Modus operandi sob investigação
Fontes policiais e judiciais apontam que a estratégia da empresa incluía a oferta de pacotes abaixo do preço de mercado e a entrega parcial dos serviços, o que dificultaria a caracterização imediata de crime. Em diversas ações, consumidores relatam obstáculos para localizar bens em nome do empresário e obter ressarcimento.
Investigadores também apuram o uso de CNPJs de terceiros para receber pagamentos, o que teria dificultado a responsabilização patrimonial. Órgãos de defesa do consumidor chegaram a suspender as vendas da Outsider em alguns estados.
Ações milionárias e caso de ator
Entre os processos, há pedidos de indenização que superam R$ 5 milhões, na Bahia e em São Paulo, relacionados a viagens para eventos como a Champions League e a Copa do Mundo do Catar. Em um dos casos, a Justiça citou a dificuldade de localizar Fernando para interrogatórios.
O ator Márcio Garcia também registrou ocorrência após afirmar que pagou por um pacote que não foi entregue. Ele acabou arcando com as passagens do próprio bolso. O caso segue sob investigação policial.
Defesa e próximos passos
Em entrevistas anteriores ao g1 e ao RJ2, Sampaio negou ser golpista, disse ter reembolsado mais de R$ 2 milhões e afirmou que tenta resolver as pendências. Após a prisão, a defesa informou que ainda não teve acesso aos autos e só se manifestará depois.






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