Casas Bahia, com dívidas de R$ 4,1 bilhões, tem pedido de recuperação extrajudicial aprovado pela Justiça

Na recuperação extrajudicial, a renegociação é feita diretamente com os principais credores para, depois, ser homologada pelo judiciário

A Justiça de São Paulo deferiu nesta segunda-feira (29) o pedido de recuperação extrajudicial do Grupo Casas Bahia. O objetivo da empresa com essa medida é reorganizar suas dívidas, que totalizam aproximadamente R$ 4,1 bilhões.

A decisão foi proferida pelo juiz Jomar Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do TJ-SP. Em sua sentença, o juiz destacou: “A documentação apresentada pelo requerente [Casas Bahia] evidencia (…) a concordância dos credores que representam mais de metade dos créditos abrangidos pelo plano de recuperação extrajudicial”.

Com essa decisão, todas as execuções movidas por credores sujeitos ao plano de recuperação ficarão suspensas por 180 dias. O juiz também determinou que a empresa comprove, no prazo do edital, o envio de carta aos credores abrangidos pelo plano contendo a relação de todos eles e o acesso ao conteúdo do plano.

No mercado financeiro, as ações da Casas Bahia registraram um aumento de quase 35% após o protocolo do pedido, realizado no domingo. Ao fimdo dia, os papéis da empresa encerraram a sessão cotados em R$ 7,30, representando uma valorização de 34,19%.

Analistas de mercado avaliaram a medida como positiva, enxergando-a como um passo importante para a reestruturação da companhia. A XP Investimentos, em relatório, afirmou: “Vemos o anúncio como um passo importante para a reestruturação da companhia, uma vez que a nova estrutura deixa a empresa em uma posição mais confortável para executar ajustes operacionais”.

Com o pedido de recuperação extrajudicial, a Casas Bahia busca reorganizar parte de suas dívidas financeiras, tendo como principais credores o Bradesco e o Banco do Brasil, que juntos detêm 55% dos créditos devidos pela varejista.

Essa decisão ocorre mais de oito meses após a empresa anunciar o fechamento de até 100 lojas e a demissão de seis mil funcionários, sendo uma das principais mudanças uma renegociação de taxas e um alongamento de títulos de dívida e promessas de pagamento em favor das instituições financeiras.

O processo é diferente de uma recuperação judicial, em que a companhia em crise financeira recorre à Justiça para entrar em um acordo com todos os seus credores. Na recuperação extrajudicial, a renegociação é feita diretamente com os principais credores para, depois, ser homologada pelo judiciário.

“A recuperação extrajudicial é um instrumento em que a empresa começa a ter dificuldades em relação a um número restrito de credores, com o pagamento de só algumas dívidas. E aí, ela usa a recuperação extrajudicial, geralmente, quando há uma concentração no valor dessa dívida”, destaca Nelson Bandeira, advogado especialista em finanças corporativas da Magma.

No caso da Casas Bahia, as dívidas a serem renegociadas são apenas financeiras e, segundo a companhia, não devem impactar clientes, fornecedores, vendedores e colaboradores.

Com informações do g1.

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