A decisão do novo presidente da Nuclep, Adeilson Ribeiro Telles, de nomear Marcelo Perillo como chefe de gabinete da Presidência expôs uma crise institucional que ultrapassa os limites da estatal e alcança o núcleo político do governo federal. A nomeação, revelada pelo portal PetroNotícias, confronta diretamente uma exoneração determinada meses antes pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e ocorre em meio à revelação de que o próprio Adeilson foi uma imposição política da ministra Gleisi Hoffmann, conforme noticiado pela Agenda do Poder.
Adeilson tomou posse no fim de dezembro, em cerimônia conduzida por Alexandre Silveira, embora o ministro já demonstrasse, nos bastidores, resistência à mudança no comando da empresa. Segundo fontes credenciadas, a nomeação do novo presidente da Nuclep foi patrocinada politicamente por Gleisi, presidente nacional do PT, sem alinhamento prévio com a pasta responsável pela estatal.
Quinze dias após a posse, a primeira grande decisão administrativa do novo presidente escancarou o conflito.
Afronta direta ao ministro
Marcelo Perillo havia sido afastado da Nuclep em outubro do ano passado. Inicialmente, o Conselho de Administração decidiu por seu afastamento temporário, classificado como medida preventiva para garantir a autonomia das apurações internas. Em seguida, o próprio Alexandre Silveira antecipou a exoneração, sem aguardar a conclusão das investigações.
Ao trazê-lo de volta, Adeilson não apenas ignorou o ato ministerial como o alçou a um cargo estratégico. A chefia de gabinete da Presidência concentra o fluxo de contratos, decisões administrativas sensíveis e articulações institucionais — posição tradicionalmente reservada a alguém de absoluta confiança do presidente da empresa.
Nos bastidores do Ministério de Minas e Energia, a leitura é de que o gesto representou um desafio direto à autoridade do ministro e um desprezo às instâncias formais de governança.
Histórico que amplia o desgaste
Marcelo Perillo responde a 19 processos judiciais, presta contas ao Tribunal de Contas da União (TCU) e teve seu nome associado à Operação Greenfield, que investigou esquemas de investimentos suspeitos em grandes fundos de pensão, como Petros e Postalis. Ele já havia sido exonerado da Nuclep em 2016, retornou à empresa em 2024 e voltou a ser afastado meses depois.
De acordo com o site Escavador, o novo presidente da Nuclep também já respondeu a 18 ações judiciais, a maioria movida pelo Ministério Público Federal. Seis processos continuam em tramitação. Na 12ª Vara Federal de Brasília, Adeilson responde por lavagem de dinheiro e ocultação de bens e valores supostamente oriundos de corrupção.
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