Nomeação do novo presidente da Nuclep reabre fantasmas e cria foco de tensão no Planalto

Quaquá advertiu para o “risco de um potencial escândalo atingir o partido e o presidente Lula”.

A nomeação de Adeilson Ribeiro Telles para a presidência da Nuclep (Nuclebrás Equipamentos Pesados), formalizada há pouco mais de duas semanas, acendeu sinal de alerta no mercado e trouxe apreensão no meio político. Não se trata de mera resistência a uma troca de comando, mas do peso da biografia do novo dirigente: sua trajetória registra inclusive uma prisão, ocorrida em março de 2018, no âmbito da Operação Rizoma, que investigou o desvio de recursos de fundos de pensão.

Nos bastidores de Brasília, a indicação é tratada como uma imposição política. Segundo fonte do Ministério de Minas e Energia, a escolha teria partido diretamente da ministra Gleisi Hoffmann, à revelia do próprio titular da pasta, Alexandre Silveira, que não esconderia o desconforto com a mudança no comando de uma estatal teoricamente subordinada ao seu ministério.

O episódio expõe mais do que um ruído administrativo: revela uma disputa de poder dentro do governo e reacende fantasmas que o Planalto tenta manter afastados desde o início do mandato. A reação do vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, foi incomum pela franqueza. Nesta sexta-feira, 16, ele se disse profundamente irritado com a nomeação e advertiu para o “risco de um potencial escândalo atingir o partido e o presidente Lula”.

Ao tornar pública sua crítica, Quaquá rompeu o silêncio que costuma proteger decisões internas e escancarou um mal-estar que vai além da Nuclep. “Já alertei o ministro Alexandre Silveira e agora estou me manifestando publicamente”, afirmou.

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