A defesa do ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Buzzi, apresentou novos documentos no processo que apura denúncias de importunação sexual, informa a colunista Mirelle Pinheiro, do portal Metrópoles. Entre os materiais anexados estão laudos médicos que, segundo os advogados, demonstram que o magistrado possui condições clínicas incompatíveis com a versão apresentada por uma das denunciantes.
Os exames e avaliações médicas foram incorporados aos autos com o objetivo de contestar o depoimento da jovem que acusa Buzzi de tê-la importunado durante uma viagem de férias em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina. A defesa sustenta que o estado de saúde do ministro inviabilizaria a situação descrita no relato.
Laudos apontam comprometimento da função sexual
De acordo com os documentos apresentados, Marco Buzzi apresenta disfunção erétil de origem multifatorial, ausência de libido, hipogonadismo — condição caracterizada pela produção insuficiente de testosterona e/ou espermatozoides pelos testículos — e ausência de ejaculação anterógrada.
Os laudos também registram que o ministro possui histórico de cirurgia de próstata, diabetes, hipertensão arterial e faz uso contínuo de medicamentos, além de outras condições clínicas que, segundo a avaliação médica, comprometem sua função sexual.
Um dos documentos, datado de 6 de fevereiro de 2026 e assinado por um médico urologista, conclui que o conjunto das evidências clínicas “não respalda hipótese de função sexual exacerbada”, apontando comprometimento da função sexual masculina.
Segundo os advogados, essas informações médicas reforçam a tese de que os fatos narrados pela denunciante não seriam compatíveis com a condição clínica do magistrado.
Defesa contesta versão apresentada pela denunciante
A jovem afirmou às autoridades que o episódio ocorreu durante um banho de mar em Balneário Camboriú. Segundo seu depoimento, o ministro teria tentado segurá-la enquanto ambos estavam na água e ela teria percebido que ele estava com o pênis ereto.
Ainda conforme o relato, ela conseguiu sentir a genitália do magistrado pressionando seu corpo, uma vez que ele utilizava apenas shorts e sunga durante o banho de mar.
A defesa argumenta que as condições médicas descritas nos laudos inviabilizariam a ocorrência da situação narrada pela denunciante.
Testemunha também foi incluída no processo
Além da documentação médica, os advogados anexaram aos autos o depoimento de uma testemunha que afirmou ter observado os dois durante o episódio no mar.
Segundo esse relato, Marco Buzzi e a jovem permaneceram separados por aproximadamente um metro e meio durante o período em que estavam na água, sem que houvesse contato físico entre eles.
A testemunha acrescentou que, ao deixarem o mar, o ministro apenas ofereceu a mão para auxiliar a jovem a sair da água.
A defesa considera que esse depoimento reforça a versão apresentada pelo magistrado, que nega qualquer conduta inadequada.
Investigação segue em diferentes frentes
Marco Buzzi está afastado do Superior Tribunal de Justiça desde fevereiro deste ano, quando passou a ser investigado após a denúncia apresentada por uma jovem de 18 anos, filha de amigos do ministro.
Segundo a acusação, o episódio aconteceu em janeiro, durante uma viagem de férias em Balneário Camboriú. A denunciante afirmou que o magistrado tentou agarrá-la em três ocasiões enquanto ambos estavam no mar.
O ministro nega integralmente as acusações.
Posteriormente, uma servidora terceirizada do STJ também apresentou denúncia de importunação sexual contra Marco Buzzi.
Além do procedimento instaurado no Superior Tribunal de Justiça, os fatos também são investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
No dia 11 de junho deste ano, cerca de 20 testemunhas foram ouvidas pelo Superior Tribunal de Justiça como parte da fase de instrução das investigações, que continuam em andamento e ainda não tiveram conclusão.





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