Assassinado pela ditadura, filho de Zuzu Angel recebe diploma póstumo de economista pela UFRJ

Universidade homenageia o estudante de Economia assassinado em 1971 durante o regime militar; corpo nunca foi localizado e caso permanece sem responsabilização judicial

Na tarde desta terça-feira (7), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concederá, de forma póstuma, o diploma de economista ao estudante Stuart Angel Jones, morto pela ditadura militar brasileira em 1971, aos 25 anos. Segundo o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, a solenidade está marcada para as 16h30, no Salão Dourado da instituição, localizado no campus da Praia Vermelha, na Avenida Pasteur.

A homenagem reconhece a trajetória acadêmica interrompida pela repressão política durante o regime militar. Filho da estilista Zuzu Angel, Stuart cursava Economia na UFRJ quando foi preso por agentes da ditadura. Militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), ele foi submetido a torturas e acabou assassinado sob custódia do Estado.

Uma das mortes mais emblemáticas da ditadura

Os detalhes sobre os momentos finais de Stuart Angel vieram a público principalmente por meio do depoimento do ex-preso político Alex Polari de Alvarenga, que afirmou ter presenciado parte das torturas na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro.

Segundo seu relato, Stuart foi submetido a um método brutal de execução. O estudante foi amarrado a um jipe militar, que circulava repetidamente pelo pátio da base, acelerando e freando, enquanto ele era obrigado a respirar os gases de escapamento do veículo, inalando monóxido de carbono.

O assassinato tornou-se um dos casos mais conhecidos das violações de direitos humanos praticadas durante o regime militar brasileiro.

Após sua morte, o corpo foi ocultado e jamais entregue à família. Mais de cinco décadas depois, Stuart Angel continua oficialmente desaparecido, e o caso permanece sem responsabilização dos autores, assim como diversos outros crimes cometidos no período.

A luta de Zuzu Angel

A busca por respostas foi liderada por sua mãe, a estilista Zuzu Angel, que transformou a dor da perda em uma campanha nacional e internacional para denunciar o desaparecimento do filho e as violações praticadas pela ditadura.

Reconhecida internacionalmente pelo trabalho na moda, Zuzu utilizou desfiles, entrevistas e contatos com autoridades estrangeiras para chamar atenção para o caso de Stuart. Sua mobilização contribuiu para ampliar a visibilidade das denúncias de violência política no Brasil.

Em 1976, cinco anos após a morte do filho, Zuzu Angel morreu em um acidente de carro ocorrido no túnel que atualmente leva seu nome, ligando a Zona Sul do Rio de Janeiro ao bairro de São Conrado. As circunstâncias de sua morte foram alvo de questionamentos durante décadas. Em 2025, o governo retificou a certidão de óbito da estilista e, em um ato de reparação histórica, o estado foi finalmente responsabilizado por sua morte.

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