UFRJ concede diploma póstumo à Stuart Angel, morto durante a ditadura

Cerimônia marcada para 7 de julho reconhecerá a trajetória acadêmica do aluno de Economia da UFRJ, que foi preso, torturado e morto por agentes do Estado em 1971

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concederá, de forma póstuma, o diploma de graduação em Economia a Stuart Angel Jones, estudante e militante que teve a formação interrompida após ser preso, torturado e morto por agentes do Estado em 1971.

A cerimônia está marcada para 7 de julho, às 16h30, no Salão Dourado da UFRJ. O anúncio foi feito pelo Centro Acadêmico Stuart Angel, vinculado ao Instituto de Economia da universidade.

A homenagem reconhece a trajetória do estudante, que cursava Economia na então Universidade do Brasil quando ingressou na resistência ao regime militar. Preso em maio de 1971, aos 25 anos, ele desapareceu após ser levado por agentes da repressão. Seu corpo nunca foi localizado.

A divulgação da diplomação foi anunciada por uma imagem simbólica que mostra Stuart sorrindo e segurando um canudo de formatura, cena que nunca se concretizou, já que a prisão e o assassinato interromperam sua vida acadêmica antes da conclusão do curso.

A trajetória de Stuart Angel e a luta de sua mãe, a estilista Zuzu Angel, já foi relembrada em reportagem especial  anterior publicada pela Agenda do Poder.

Quem foi Stuart Angel

Filho da estilista Zuzu Angel e do norte-americano Norman Angel Jones, Stuart nasceu em Salvador, em 1945. Criado em uma família de classe média alta com forte inserção na sociedade carioca, ingressou na Faculdade de Economia da UFRJ durante a década de 1960.

Segundo pesquisadores da história da resistência à ditadura, seu envolvimento político começou no movimento estudantil, período em que participou da reorganização de grupos de esquerda dentro da universidade. Posteriormente, integrou a Dissidência Estudantil da Guanabara (DI-GB), organização que mais tarde daria origem ao Movimento Revolucionário 8 de Outubro.

Stuart ao lado das irmãs Ana Cristina e Hildegard Angel I Crédito: Acervo Zuzu Angel

Ao lado de nomes como Franklin Martins, Vera Sílvia Magalhães e Vladimir Palmeira, Stuart participou da reorganização dos movimentos de resistência após o golpe militar de 1964. Com o endurecimento do regime e a edição do Ato Institucional número cinco (AI-5), em 1968, passou à clandestinidade. Sob identidades falsas, atuou na organização política de trabalhadores e participou de ações ligadas ao MR-8.

Prisão e tortura 

Em 14 de maio de 1971, Stuart foi capturado por agentes da repressão após comparecer a um encontro clandestino monitorado pelos órgãos de segurança. Levado para a Base Aérea do Galeão, foi submetido a torturas em busca de informações sobre Carlos Lamarca, considerado inimigo número um da ditadura.

O relato mais conhecido sobre sua morte foi apresentado pelo ex-preso político Alex Polari, que descreveu o assassinato em uma carta enviada à família. Segundo o documento, Stuart foi amarrado a um veículo militar e teve a boca presa ao escapamento de um jipe durante uma sessão de tortura.

O corpo nunca foi encontrado e entregue aos familiares. A partir do desaparecimento do filho, Zuzu Angel iniciou uma campanha nacional e internacional para denunciar o crime e cobrar informações do Estado brasileiro. A estilista transformou sua atuação pública em uma busca permanente por respostas sobre o paradeiro de Stuart.

Em 2019, a certidão de óbito foi retificada e passou a registrar oficialmente que a morte ocorreu de forma violenta e foi causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição política promovida pela ditadura militar.

*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes

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