Academia em Copacabana volta a funcionar após morte de aluna e causa polêmica

Academia em Copacabana retoma atividades após morte de aluna e enfrenta críticas por falta de desfibrilador e postura controversa da direção

A academia em Copacabana onde a estudante Dayane de Jesus, de 22 anos, morreu enquanto fazia exercícios anunciou o retorno das atividades na noite desta quinta-feira, provocando forte repercussão nas redes sociais. O local, interditado pela Polícia Civil após o incidente ocorrido na última terça-feira, voltou a funcionar nesta sexta-feira sob uma postura considerada polêmica por clientes e profissionais do setor.

A estudante de Relações Internacionais da UFRJ passou mal durante o treino por volta das 19h e não resistiu, sendo atendida inicialmente por outro aluno, que seria médico. A tragédia levantou questionamentos sobre a falta de equipamentos básicos para emergências, especialmente o desfibrilador — item obrigatório em academias desde 2022, conforme lei municipal do Rio de Janeiro. A unidade não possuía o equipamento, o que contribuiu para a interdição determinada pela 12ª Delegacia de Polícia de Copacabana.

Em um comunicado publicado no perfil oficial da academia Forma Fitness, a direção anunciou o retorno “com força total” e afirmou ser “obcecada por segurança no ambiente de treino”, ao mesmo tempo em que lamentou a fatalidade. No entanto, o texto chamou a atenção pela ironia direcionada a clientes e funcionários que criticaram a postura da empresa durante o fechamento temporário. “Quem discorda da postura adotada, seja cliente ou funcionário, deve sair. A empresa tem dono! Não gostou, é só sair…”, diz um trecho do comunicado.

Além disso, a academia garantiu que os alunos terão três dias acrescentados aos contratos para compensar o período de interdição, e confirmou o funcionamento em horário normal a partir desta sexta-feira. A publicação, que não permite comentários, gerou diversas curtidas e uma intensa discussão sobre a ética e responsabilidade da empresa frente ao ocorrido.

Investigações seguem em andamento para apurar a causa da morte de Dayane. Segundo o delegado Angelo Lages, titular da 12ª DP, o laudo inicial do Instituto Médico-Legal foi inconclusivo e um exame complementar foi solicitado. “O cerne da investigação é verificar se o desfibrilador poderia evitar a morte da aluna”, afirmou o delegado. Caso seja comprovado que a ausência do equipamento foi fator determinante, o responsável pela academia pode responder por homicídio culposo.

A prefeitura do Rio também foi acionada para aplicar multa pela falta do desfibrilador e descumprimento das normas de segurança. A Polícia Civil pretende ouvir testemunhas que presenciaram o ocorrido para esclarecer todos os fatos.

O sepultamento de Dayane de Jesus está marcado para esta sexta-feira, às 13h30, no Cemitério São João Batista, em Botafogo. A jovem, que faria 23 anos em junho, era dedicada ao balé desde a infância e estava prestes a se formar na universidade, já atuando na área de Relações Internacionais.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading