No Craque do Amanhã, em Neves, distrito de São Gonçalo, o Dia das Mães ganhou um significado que vai além da celebração da data. Entre cafés compartilhados, rodas de conversa e oficinas de escrita, mães e responsáveis encontraram um espaço de acolhimento, pertencimento e transformação por meio da poesia.
A oficina “Mãos que Cuidam” surgiu como desdobramento de uma atividade de crochê e hoje reúne mulheres interessadas em desenvolver a escrita poética. A iniciativa trabalha leitura, elementos básicos da criação literária e análise coletiva de textos produzidos semanalmente pelas participantes.
À frente da atividade está Brenda Moura, coordenadora pedagógica do projeto e professora de português e literatura. Segundo ela, a proposta é utilizar a escrita como instrumento de identidade e expressão.
“Ajudo na revisão e escrita das poesias, trago outras autoras negras e textos de autoria feminina, que também falam da vivência de mulheres negras, de periferia, como Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Lélia Gonzalez”, explica Brenda.
Paixão pela escrita
Foi nesse ambiente que a moradora de Neves Lídia Carvalho, de 47 anos, reencontrou a paixão pela escrita. Mãe de três filhos — todos participantes do projeto — ela passou a frequentar a oficina após o Carnaval e já escreveu mais de 30 poesias.
Durante uma das rodas de conversa, Lídia contou que gostava de escrever, mas havia abandonado o hábito ao longo dos anos. Incentivada pelas outras participantes, decidiu retomar a prática.
“Estou me descobrindo como pessoa, como alguém que pensa e escreve. Através da poesia eu me encontro, revivo emoções e percebo que tudo aquilo que coloco no papel faz sentido”, afirma.
Ela também passou a abordar em seus textos os desafios da maternidade atípica.
“É a voz das mães atípicas, das dores, dos medos e das frustrações. Mas também é uma escrita cheia de amor. Foi libertador. Eu me encontrei, me achei e me libertei. Quero convidar outras mães a viverem isso também”, diz.






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