A Polícia Civil investiga se a médica Andréa Marins Dias foi morta por engano em uma perseguição da PM em Cascadura, Zona Norte do Rio.
A suspeita é a de que três agentes confundiram o carro da vítima com o de criminosos. A PM informou que os policiais que participaram da ação foram afastados preventivamente das ruas até a conclusão das investigações.
O corpo da médica será enterrado nesta terça-feira (17) no cemitério do Caju, na Zona Portuária da capital fluminense. Ela tinha uma filha de 30 anos e ajudava a cuidar dos pais idosos.
Um vídeo gravado por uma testemunha mostra os agentes cercando o veículo e gritando enquanto batem com um fuzil na porta da motorista. A ação, ocorrida neste domingo (15), foi divulgada pela TV Globo.
“Desce, irmão, vai morrer!”, grita um deles, enquanto os policiais forçam a abertura do carro. Ao abrir a porta, encontram Andrea já morta. O veículo da médica foi submetido a uma perícia.
Testemunhas afirmam ter ouvido mais de dez tiros antes de os agentes retirarem a médica já sem vida do carro, um Corolla Cross branco.
O que diz a PM
A PM informou que a equipe fazia patrulhamento de rotina quando recebeu a informação de que ocupantes de um veículo estariam cometendo assaltos.
A partir disso, os agentes iniciaram buscas. Segundo a corporação, os suspeitos teriam reagido atirando.
A PM disse, ainda, que os agentes envolvidos usavam câmeras corporais. Os equipamentos e as armas foram disponibilizados para a investigação.
“No carro, havia marcas de tiros frontais e na traseira, indicando a troca de tiros. Os policiais estavam atrás do carro da vítima. Não compactuamos com nada errado. Se comprovada a culpa dos policiais, eles serão punidos e responderão na Justiça”, disse Marcelo Menezes, comandante-geral da PM, em entrevista à Agenda do Poder.
Como estão as investigações
As armas dos agentes e as câmeras corporais foram apreendidas. Uma perícia complementar foi feita no veículo da vítima nesta segunda-feira (16), um dia após o crime.
Os investigadores também recolheram imagens de câmeras de segurança que possam auxiliar nas apuração do caso.
A Polícia Civil agora irá colher depoimentos de testemunhas e dos próprios agentes envolvidos na ação.
Quem era Andréa Marins Dias
A médica, que tinha 61 anos, era conhecida nas redes sociais por conscientizar mulheres sobre a endometriose, doença inflamatória que pode ser confundida com sintomas do ciclo menstrual.
A ginecologista e cirurgiã geral Andréa Marins Dias também compartilhava na internet experiências de sua trajetória profissional.
Andréa tinha quase 30 anos anos de experiência na área de saúde da mulher. Em seu perfil nas redes sociais, dizia também atuar em cirurgia oncológica, para o tratamento de câncer.
Andréa também fazia postagens nas redes sociais sobre seu lazer: “Nem só de trabalho viverá a mulher. A doutora também se diverte”, escreveu ao lado de uma foto com amigas.
O Conselho Regional de Medicina (CRM) lamentou a morte e pediu rigor na investigação do caso. A Unimed Nova Iguaçu, da qual a profissional era associada, também divulgou nota de solidariedade à família, amigos e pacientes.






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