“A gente não vai fazer ajuste em cima dos pobres”, afirma Lula, sobre discussão de corte de gastos

O Ministério da Fazenda estuda mudanças no orçamento de saúde e educação para alinhar essas despesas ao arcabouço fiscal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou neste sábado (15) propostas discutidas em seu próprio governo para limitar o crescimento real dos gastos com saúde e educação. Em entrevista a jornalistas no sul da Itália, Lula afirmou que não realizará ajuste fiscal “em cima dos pobres”.

Em sua última parada na Europa, antes de retornar ao Brasil, Lula defendeu o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que tem enfrentado críticas recentemente, e atacou a taxa de juros e a atuação do Banco Central. “Eu vou dizer em alto e bom som: a gente não vai fazer ajuste em cima dos pobres. Achar que nós temos que piorar a saúde e piorar a educação para melhorar… Isso é feito há 500 anos no Brasil. Há 500 anos o povo pobre não participava do Orçamento”, declarou Lula durante a reunião de cúpula do G7, realizada na região de Puglia.

O Ministério da Fazenda estuda propor a alteração das regras orçamentárias para saúde e educação, buscando alinhar o crescimento dessas despesas ao arcabouço fiscal que limita os gastos federais a um aumento real de até 2,5% ao ano. Após a repercussão negativa dessas discussões, Haddad esclareceu que esse é apenas um dos “vários cenários discutidos”. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, também afirmou que a revisão dos pisos não é uma prioridade da equipe econômica.

Neste sábado, Lula enfatizou que os críticos do déficit fiscal e dos gastos governamentais apoiam a desoneração da folha de pagamento de empresas e municípios, uma medida que está sendo votada no Senado.

Com informações do UOL

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