Rede Brasil Atual — “Lamento profundamente que muitas igrejas evangélicas viraram partido político e elegeram políticos em todas as siglas que você possa imaginar. E essa disputa não tem nada a ver com religião, mas com projeto de tomada do poder e ocupação do espaço. Temos que encarar isso.” A observação é da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), que é evangélica.
Em participação do programa Entre Vistas, da TVT, apresentado por Juca Kfouri, a deputada alerta que alguns segmentos evangélicos estão promovendo uma interpretação da Bíblia conforme lhes convém. E traduzindo o Evangelho como peça importante desse projeto de poder. “É para que possam eleger aqueles que eles ‘nomeiam’ abençoados enquanto outros são entregues ao apocalipse”, explica Benedita.
Benedita da Silva, no entanto, diz que não está fácil a vida de religiosos que pensam fora dessa caixinhar de perversidade. Ela denuncia um processo de perseguição dentro das igrejas, por exemplo, contra pessoas que participaram de encontro recente de evangélicos com o ex-presidente Lula, no Rio de Janeiro. “Um dos pastores que falaram disse que a igreja deveria pedir perdão para Lula por tudo que estão fazendo com ele. Parou ali”, diz a deputada. Segundo ela, esse pastor teve de se desligar se sua igreja. “Teve que pedir demissão. Ele era presidente do Conselho Batista Carioca. Isso é um absurdo.”
A entrevistada de Juca Kfouri afirma que depois das eleições seja retomada a defesa do Estado laico. Para que igrejas e seus líderes que fizeram essa “perversidade” com a religiosidade seja questionada. “Eles querem que a verdade mentirosa que eles têm seja uma verdade para todos”, critica.





