A defesa do ex-deputado Chiquinho Brazão afirmou nesta terça-feira (24), no julgamento no Supremo Tribunal Federal, que a delação do ex-PM Ronnie Lessa não tem base factual. Em sustentação oral, o advogado Cleber Lopes de Oliveira declarou que “a delação do senhor Ronnie Lessa é uma criação mental”, sustentando que o colaborador teria construído uma narrativa sem respaldo nas provas do processo.
O defensor acrescentou que a acusação “trabalha com o mais absoluto jejum em relação a prova”, argumentando que há desconexão entre a denúncia e os elementos reunidos nos autos, inclusive no que se refere à suposta organização criminosa.
Julgamento dos acusados
Além de Brazão, também respondem como réus o conselheiro do TCE Domingos Brazão, o delegado Rivaldo Barbosa e dois policiais militares. A acusação da Procuradoria-Geral da República sustenta que os irmãos teriam ordenado a execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes para conter ações políticas que afetariam interesses do grupo.
Segundo a investigação da Polícia Federal, o crime começou a ser planejado em 2017, após tensões políticas ligadas à atuação da parlamentar e a disputas envolvendo milícias.
Estratégia da defesa
A defesa também sugeriu que Lessa poderia tentar proteger o ex-vereador Cristiano Girão, investigado no caso. O advogado lembrou que a intensificação do suposto plano teria ocorrido em agosto de 2017, período em que Girão recebeu indulto, e questionou a narrativa do colaborador.
Segundo Oliveira, não há provas independentes que confirmem encontros entre Lessa e os irmãos Brazão ou contatos diretos com Rivaldo Barbosa. Ele argumentou ainda que divergências políticas não configuram motivação criminosa.
“É angustiante não saber quem mandou matar Marielle. Não podemos, apesar disso, sacrificar a liberdade de pessoas ao arrepio das provas”, afirmou.
Acusação sustenta elo com milícia
A PGR, por sua vez, afirma que depoimentos, registros e outras evidências corroboram a colaboração premiada, indicando liderança dos irmãos Brazão em grupos milicianos e influência sobre investigações policiais. Para os procuradores, a ocultação de provas é compatível com a atuação dessas organizações.






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