A cada dois dias e meio alguém é preso no Rio por violar proteção a mulheres

Dados da PM revelam que agressões ocorrem sobretudo à noite e nos fins de semana, com maioria das vítimas negras entre 30 e 49 anos

A cada dois dias e meio, em média, uma pessoa é presa no Estado do Rio de Janeiro por descumprir medidas protetivas concedidas pela Justiça a mulheres vítimas de violência doméstica.

Desde a criação do programa Patrulha Maria da Penha — Guardiões da Vida, há seis anos, foram realizadas 881 prisões, a maioria em flagrante.

O serviço já acompanhou mais de cem mil mulheres, com ações voltadas para evitar agressões e prevenir feminicídios. O levantamento da Polícia Militar foi divulgado no encerramento da Campanha Agosto Lilás, criada em 2022 para conscientizar a sociedade sobre a violência contra a mulher.

Perfil das vítimas e estatísticas de violência

Dados da central 190 mostram que, em 2024, as agressões contra mulheres ocorreram principalmente aos sábados, domingos e segundas-feiras. A capital concentrou o maior número de registros. A maioria das ocorrências se deu entre 19h e meia-noite.

O perfil das vítimas indica que 46% são mulheres negras e 30,1% brancas, com maior incidência na faixa etária entre 30 e 49 anos.

Em seis anos, das 105.969 mulheres atendidas, 88.800 receberam acompanhamento contínuo, que inclui visitas periódicas ou contatos regulares de policiais. As assistidas também podem acionar a patrulha por aplicativo de mensagens.

“O programa é um serviço em que a gente fiscaliza, monitora essas medidas protetivas de urgência. Assim que a medida é deferida pela Justiça, ela é enviada para o batalhão da área onde reside a mulher. A partir daí, fazemos contato com a vítima e oferecemos o serviço da patrulha”, explicou a major PM Bianca Ferreira, coordenadora da Patrulha Maria da Penha.

Relatos e estrutura de apoio

Uma professora de 44 anos, moradora da Zona Sul, relatou como foi agredida por um ex-namorado que invadiu sua casa em julho de 2024. O homem, armado com uma faca, a agarrou pelo pescoço durante uma ligação com o irmão.

“Fui asfixiada. Ele apertou minha garganta e tentou tampar minha boca. Mesmo assim consegui gritar, e meu irmão chamou a polícia. Na época, ele foi preso. Agora, já está solto novamente. Fui inserida no programa e passei a receber a visita periódica dos PMs. Também consigo fazer contato pelo aplicativo com os agentes. Este contato com os policiais me ajudou a ficar mais tranquila, mas o trauma que sofri é permanente”, contou.

A demanda pelo serviço é expressiva: em 2024, foram 63.426 chamadas ao 190 relacionadas à violência contra a mulher — uma média de sete ligações por hora, ficando atrás apenas dos registros de perturbação do sossego.

Do efetivo da PM dedicado à patrulha, 49,45% são mulheres. O atendimento é feito em dupla, geralmente por um policial homem e uma mulher, para garantir acolhimento adequado. O programa também conta com 45 salas lilases, espaços exclusivos dentro de batalhões ou em áreas próximas, voltados ao atendimento humanizado de mulheres em situação de vulnerabilidade e seus filhos.

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