Governo do RJ lança observatório e revela mais de 42 mil casos de violência contra mulheres em 2025

Plataforma digital integra dados de saúde, segurança e justiça e aponta 53 feminicídios até julho

O cenário da violência contra mulheres e meninas no Rio de Janeiro continua alarmante em 2025. De janeiro a julho, foram 42.152 casos registrados em unidades de saúde no estado, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ). A análise aponta que sete em cada dez vítimas são mulheres e que a maioria das ocorrências envolve agressões físicas, enquanto o estupro é o crime sexual mais recorrente. Outro dado preocupante é que 42% dos casos são reincidentes, revelando que muitas vítimas sofrem múltiplas agressões.

Diante desse quadro, o governo estadual apresentou o Observatório do Feminicídio, uma plataforma digital criada para unificar informações sobre violência contra mulheres. Coordenado pela Secretaria de Estado da Mulher, o sistema reúne dados da saúde, segurança pública e justiça, distribuídos em seis painéis interativos, com o objetivo de embasar políticas públicas mais eficazes e aprimorar o atendimento às vítimas.

Apesar do elevado número de casos, houve uma redução de 6% na média diária de notificações: em 2024, eram registradas 148 ocorrências por dia, número que caiu para 139 em 2025. Ainda assim, os feminicídios permanecem preocupantes. O Instituto de Segurança Pública (ISP) aponta que 53 mulheres foram mortas entre janeiro e julho deste ano — 12 casos a menos que no mesmo período de 2024.

No Judiciário, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) concedeu 23.440 medidas protetivas e registrou 3.032 prisões apenas no primeiro semestre. O Observatório, que recebeu um investimento de R$ 2,4 milhões, tem apoio técnico da UFRJ e parcerias com o TJRJ, o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher e a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alerj.

O governo também lançou uma cartilha informativa para orientar a população e um curso de capacitação voltado para profissionais de segurança pública. Entre as ações de proteção já em andamento, destacam-se a Patrulha Maria da Penha – Guardiões da Vida, que contabiliza mais de 336 mil atendimentos, o aplicativo Rede Mulher, que aciona a Polícia Militar em tempo real, e os Centros Especializados de Atendimento à Mulher (Ceam e Ciams), responsáveis por mais de 11 mil atendimentos em 2024. Há ainda um abrigo sigiloso destinado a mulheres que correm risco de vida.

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