Mesmo com o início da propaganda eleitoral gratuita previsto apenas para o fim de agosto, partidos que já lançaram pré-candidatos à Presidência da República intensificaram as articulações políticas para ampliar o tempo de exposição no rádio e na televisão. A estratégia passa, sobretudo, pela formação de alianças com siglas de maior representação na Câmara dos Deputados.
A distribuição do tempo de propaganda segue critérios definidos pela legislação eleitoral. A maior parte, equivalente a 90%, é calculada proporcionalmente ao tamanho das bancadas federais, enquanto os 10% restantes são divididos igualmente entre os candidatos de partidos que atingiram a cláusula de desempenho.
Critério de distribuição
A chamada cláusula de barreira estabelece que as legendas precisam alcançar um percentual mínimo de votos válidos para a Câmara ou eleger um número mínimo de deputados para ter acesso ao Fundo Partidário e ao horário eleitoral gratuito.
Esse mecanismo reduz o número de partidos com direito à propaganda e concentra o tempo nas siglas com maior presença no Congresso, tornando o tamanho das bancadas um fator decisivo nas negociações políticas.
Quem lidera o tempo
Considerando a atual composição da Câmara, a federação formada por União Brasil e PP aparece com a maior fatia do horário eleitoral. Com 106 deputados, o grupo deve concentrar cerca de 2 minutos e 28 segundos, o equivalente a pouco mais de 20% do tempo total disponível.
Na sequência estão o PL, a federação formada por PT, PCdoB e PV, além de MDB, PSD e Republicanos, que também reúnem bancadas expressivas e, por isso, terão participação relevante na propaganda.
Impacto da cláusula
No cenário atual, apenas três partidos que já apresentaram pré-candidatos cumpriram os requisitos da cláusula de desempenho e, portanto, têm direito direto ao tempo de propaganda: PT, PSD e PL.
Outras legendas que também anunciaram nomes para a disputa, mas não atingiram os critérios exigidos, não terão acesso ao horário eleitoral, o que limita sua visibilidade na campanha.
Disputa pelo Centrão
Diante desse cenário, o apoio de partidos do chamado Centrão se tornou peça estratégica. Com bancadas robustas, essas legendas podem ampliar significativamente o tempo de propaganda dos candidatos que conseguirem atraí-las para suas coligações.
Simulações indicam que uma eventual aliança do PL com União Brasil-PP e Republicanos poderia mais que dobrar o tempo de exposição do candidato do partido, ultrapassando a marca de cinco minutos.
No campo governista, embora partidos do Centrão não devam integrar a coligação, há expectativa de ampliação do tempo por meio de alianças com siglas de esquerda, como PSB, PDT e a federação PSOL-Rede. Nesse cenário, o espaço poderia superar três minutos no horário eleitoral.
Peso das alianças
As negociações em curso mostram que o tempo de televisão segue como um dos principais ativos da campanha presidencial. Em um cenário de disputa fragmentada, a capacidade de formar alianças e ampliar a exposição nos meios de comunicação pode influenciar diretamente o desempenho dos candidatos no primeiro turno.
No segundo turno, a divisão do tempo passa a ser igualitária entre os dois finalistas, o que reduz o peso das bancadas e das coligações nessa etapa da disputa.
Tempo de propaganda eleitoral
Ao todo, serão distribuídos 750 segundos de propaganda eleitoral entre partidos e federações na disputa presidencial. A divisão leva em conta o tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados, critério que amplia a participação das legendas com maior representação e tende a favorecer seus candidatos na corrida eleitoral. Veja o tempo dos partidos e federações:
• União Brasil lidera o tempo de TV na eleição presidencial de 2026, com 2 minutos, 28 segundos e 19 centésimos
• PL aparece em segundo lugar, com 2 minutos, 14 segundos e 98 centésimos
• A federação PT, PCdoB e PV terá o terceiro maior espaço, com 1 minuto, 59 segundos e 5 centésimos
• MDB e PSD terão exatamente o mesmo tempo no horário eleitoral: 59 segundos e 54 centésimos cada
• Republicanos vem logo atrás, com 56 segundos e 89 centésimos
• Entre as siglas com menor bancada, a federação PSDB-Cidadania terá 31 segundos e 72 centésimos
• O Podemos contará com 27 segundos e 77 centésimos
• O PDT terá 26 segundos e 42 centésimos
• PSOL-Rede e PSB terão o mesmo tempo de exposição, com 23 segundos e 78 centésimos cada
• A federação PRD-Solidariedade ficará com 22 segundos e 48 centésimos
• O Avante terá o menor espaço entre os listados, com 13 segundos e 21 centésimos







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