A negociação para a venda de 90% da SAF do Vasco enfrenta um novo desafio. O Flamengo protocolou um pedido na Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) para que o órgão analise a operação envolvendo o empresário Marcos Lamacchia e avalie se o negócio atende às regras do futebol brasileiro sobre multipropriedade e conflito de interesses.
A diretoria rubro-negra sustenta que a operação precisa ser examinada porque Marcos Lamacchia é filho do empresário José Lamacchia, avalista da negociação, e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Segundo o Flamengo, essa ligação familiar pode configurar influência entre clubes que disputam as mesmas competições, hipótese prevista nas normas do Sistema de Sustentabilidade Financeira e na Lei Geral do Esporte.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, já havia manifestado publicamente preocupação com a negociação e afirmou anteriormente que levaria o caso às autoridades competentes caso o processo avançasse.
Mesmo antes da manifestação do Flamengo, a ANRESF já havia solicitado esclarecimentos ao Vasco sobre a estrutura da operação. O clube terá de apresentar informações sobre os termos da negociação para que a agência avalie se a venda está em conformidade com as regras vigentes.
Pelas normas do Sistema de Sustentabilidade Financeira, nenhuma pessoa física ou jurídica pode exercer, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube que dispute a mesma competição profissional. A análise também considera situações como participação societária, poder de veto, indicação de administradores e contratos de financiamento que possam influenciar a gestão esportiva.
Como está a negociação da SAF do Vasco
Na última semana, a Almirante Participações, representada por Marcos Lamacchia e Mario Junqueira Franco Junior, assinou um contrato vinculante com o Vasco para atuar como investidora âncora no processo de venda de 90% da SAF.
A proposta prevê investimento mínimo de R$ 650 milhões, sendo R$ 500 milhões destinados ao futebol profissional. O restante será aplicado em melhorias no Centro de Treinamento Moacyr Barbosa e nas categorias de base.
A venda ocorre por meio de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI Equity), modelo previsto no plano de recuperação judicial do clube, que permite a alienação da SAF para garantir o pagamento de credores. Todo o processo tramita sob supervisão da Justiça, e novas propostas poderão ser apresentadas durante a concorrência.
Enquanto a negociação segue em andamento, caberá à ANRESF analisar a documentação apresentada pelo Flamengo, os esclarecimentos do Vasco e verificar se a operação atende às exigências do regulamento antes da conclusão definitiva do negócio.






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