Zona sul do Rio é a região mais afetada por furtos de cabos que causaram apagões e prejuízos à população

Só em 2025, mais de 58 mil metros de fios foram furtados em bairros como Ipanema, Copacabana e Leblon; quadrilha movimentou R$ 200 milhões

A Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), com o apoio da Polícia Civil do Paraná, deflagrou na quinta-feira (24) uma operação para desarticular uma quadrilha especializada no furto de cabos subterrâneos de energia elétrica e telecomunicações. Batizada de Caminho do Cobre II, a ofensiva prendeu sete suspeitos Segundo as investigações, o grupo criminoso movimentou cerca de R$ 200 milhões nos últimos dois anos.

Uma das maiores vítimas foi a concessionária Light, que registrou a perda de 135 quilômetros de cabos entre 2024 e abril de 2025, segundo informa o portal Extra. O volume é suficiente para cobrir a distância entre a capital fluminense e o município de Volta Redonda, no Sul do estado. Os furtos provocaram apagões, oscilações e até sobrecargas no sistema elétrico em áreas densamente povoadas do Rio.

Somente nos quatro primeiros meses de 2025, foram levados 58 mil metros de cabos subterrâneos, com destaque para os bairros da Zona Sul, como Ipanema, Copacabana, Leblon e também o Centro e a Barra da Tijuca.

— As principais áreas (onde os bandidos mais atuaram) são Ipanema, Copacabana, Centro e Barra da Tijuca. São os locais que a gente teve maior incidência de furtos, até agora, em 2025. Já ano passado, as áreas mais afetadas foram Centro, Copacabana, Leblon e Ipanema. Mas assim, o que a gente pode destacar, é que mais do que o prejuízo que a Light tem, é o prejuízo que isso traz para toda a população. Este crime afeta diretamente serviços essenciais, como hospitais e transporte — revelou Leonardo Bersot, gerente de manutenção da rede subterrânea da Light.

Telecomunicações também sofreram impacto

O setor de telecomunicações também registrou grandes prejuízos. Dados da Conexis, entidade que representa as operadoras do setor, apontam que, em 2022, foram furtados mais de 504 mil metros de cabos no estado do Rio. Em 2023, o total foi de 137.643 metros. Já no primeiro semestre de 2024, foram levados 50.198 metros de fios.

Segundo a Conexis, crimes como furto, roubo, vandalismo e receptação de cabos e equipamentos impactam diretamente milhões de consumidores e comprometem o funcionamento de serviços essenciais como internet, telefonia e TV por assinatura.

Esquema envolvia empresas de fachada

A investigação revelou que o grupo operava com estrutura complexa, incluindo divisão de tarefas, veículos adaptados, falsificação de documentos e rede de revenda articulada. O material furtado era direcionado a depósitos clandestinos e posteriormente vendido a empresas de reciclagem e metalúrgicas no Rio e em São Paulo.

A movimentação financeira era ocultada com o uso de empresas fantasmas e contratos simulados, permitindo à quadrilha lavar grandes volumes de dinheiro obtidos com a prática criminosa.

A operação Caminho do Cobre II marca uma nova etapa no combate ao furto de cabos, um crime que, além de causar danos econômicos significativos, atinge diretamente a vida de milhares de moradores da cidade. As investigações continuam, e novas fases da operação não estão descartadas.

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