Zema e Caiado culpam governo Lula por tarifaço dos EUA e evitam citar Flávio Bolsonaro

Pré-candidatos à Presidência afirmam que política externa do Planalto enfraqueceu relação com os Estados Unidos e contribuiu para a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros

O anúncio de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos provocou reações imediatas no cenário político nacional. Nesta terça-feira (2), os ex-governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, pré-candidatos à Presidência, responsabilizaram diretamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela medida adotada por Washington.

Embora o Palácio do Planalto tenha atribuído parte da crise ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os dois pré-candidatos à Presidência da República evitaram mencionar o parlamentar ao comentar o tema. Em vez disso, concentraram as críticas na condução da política externa brasileira e no relacionamento diplomático entre Brasília e a Casa Branca.

Zema fala em falha diplomática

Em vídeo publicado nas redes sociais, Romeu Zema classificou o chamado tarifaço como uma medida protecionista e prejudicial à economia nacional. Segundo ele, a decisão norte-americana é resultado da incapacidade do governo federal de defender os interesses brasileiros no exterior.

O ex-governador mineiro afirmou que o Brasil perdeu credibilidade internacional e capacidade de negociação. Para Zema, a deterioração da imagem do país diante dos parceiros comerciais contribuiu para o endurecimento da postura dos Estados Unidos.

Na avaliação do político do Novo, os principais prejudicados pela taxação serão os produtores, trabalhadores e setores produtivos brasileiros, que poderão enfrentar dificuldades para manter a competitividade no mercado internacional.

Caiado critica rumo do Itamaraty

Ronaldo Caiado também elevou o tom contra o governo federal durante entrevista coletiva concedida em Belo Horizonte, onde participava de uma exposição do setor leiteiro. O evento reuniu lideranças políticas, entre elas o próprio Zema e o senador Flávio Bolsonaro.

Para o governador de Goiás, a diplomacia brasileira abandonou uma postura de Estado e passou a atuar sob uma orientação ideológica. Segundo ele, o Itamaraty perdeu protagonismo e deixou de exercer o papel histórico de interlocutor confiável em negociações internacionais.

Caiado afirmou ainda que o governo petista teria contribuído para o desgaste da relação bilateral com os Estados Unidos, país considerado um dos principais parceiros econômicos do Brasil.

Debate sobre segurança e soberania

Durante sua manifestação, Caiado também abordou temas ligados à segurança pública. O pré-candidato voltou a defender a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas, posição que já havia manifestado em outras ocasiões.

Ao mesmo tempo, criticou a decisão de taxar produtos brasileiros e defendeu a retomada do diálogo entre os dois países. Segundo ele, a parceria histórica entre Brasil e Estados Unidos não pode ser comprometida por divergências políticas ou diplomáticas.

Enquanto isso, o presidente Lula segue atribuindo responsabilidade pela crise ao senador Flávio Bolsonaro. O chefe do Executivo chegou a chamá-lo de “imbecil” ao comentar o assunto. Em resposta, Flávio declarou à Rádio Itatiaia que teria solicitado ao ex-presidente Donald Trump que poupasse empresas brasileiras dos efeitos das novas tarifas.

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