O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin pediu que a Polícia Federal (PF) abra uma investigação para apurar o vazamento de informações sigilosas da Operação Sisamnes, que investiga um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJMT) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O objetivo é entender a origem da divulgação e avaliar se ela comprometeu os desdobramentos da operação.
Vazamento pode ter vindo de dentro da PF
Zanin quer esclarecer se agentes da própria PF participaram da divulgação indevida de documentos sigilosos. A solicitação ocorre no âmbito do inquérito instaurado em 17 de outubro, após a circulação de um relatório parcial elaborado sem conhecimento de todos os investigadores e que teria sido vazado por policiais que deixaram a operação.
Além disso, há apurações sobre possível envolvimento de ministros do STJ no esquema alvo da investigação.
Relatório parcial é alvo de críticas
O relatório vazado trouxe questionamentos dentro da corporação e também na cúpula do Ministério Público. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, classificou o documento como genérico e recomendou que a PF delimite com clareza os pontos que ainda dependem de novas provas.
Com a exposição das informações, o STF passou a avaliar se o episódio pode ter alertado investigados que seriam alvos futuros da operação.
Zanin cobra acesso a documentos e esclarecimentos
O ministro solicitou à PF acesso integral aos materiais referentes aos mandados de busca e apreensão e pediu explicações sobre mensagens criptografadas mencionadas no processo. Ele também questiona a possível participação de uma empresa de gestão patrimonial que estaria sendo investigada.
Apesar dos problemas apontados, a Procuradoria-Geral da República reconheceu a existência de indícios de participação de servidores, advogados e lobistas na venda de decisões judiciais no STJ.
Origem da investigação: o assassinato de um advogado
A Operação Sisamnes teve início após o assassinato do advogado Roberto Zampieri, em 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá. O celular apreendido pela Polícia Civil de Mato Grosso revelou conversas que levaram o caso à PF. Durante a análise do aparelho, investigadores encontraram mensagens que indicavam o envolvimento de Zampieri na compra de decisões judiciais, incluindo menções a um “rapaz de Brasília” como parceiro no esquema.
A PF foi procurada para comentar o caso, mas não se manifestou.






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