A fabricante Ypê conseguiu suspender temporariamente nesta sexta-feira (8) os efeitos da decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que havia determinado o recolhimento e a proibição de diversos produtos da marca. Apesar da suspensão automática obtida após a apresentação de recurso, a Anvisa reforçou que mantém a orientação para que os consumidores não utilizem os itens envolvidos no caso.
A disputa ganhou repercussão nacional após a agência apontar falhas em processos de fabricação da empresa e alertar para possível risco de contaminação microbiológica nos produtos fabricados na unidade de Amparo, em São Paulo. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.
Recurso suspende proibição
Em comunicado divulgado na noite desta sexta-feira, a Ypê informou que apresentou um recurso administrativo com esclarecimentos técnicos relacionados à decisão da Anvisa.
Segundo a empresa, o protocolo do recurso provocou automaticamente a suspensão dos efeitos da medida, conforme previsto na RDC nº 266/2019. Com isso, a proibição de fabricação e comercialização dos produtos afetados fica suspensa até uma nova decisão da diretoria colegiada da agência.
Entre os itens atingidos estão categorias como lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquido e desinfetantes.
A empresa afirmou que continuará em diálogo permanente com a Anvisa e demais autoridades, defendendo que atua com base em critérios científicos e subsídios técnicos para solucionar o caso.
Anvisa mantém recomendação
Mesmo com a suspensão temporária da proibição, a Anvisa reiterou que continua identificando risco sanitário na linha de produção da unidade da Ypê em Amparo.
Em nova nota, a agência informou que recomenda que os consumidores não utilizem os produtos citados por questões de segurança até nova avaliação do caso.
O órgão também destacou que cabe à empresa orientar clientes sobre procedimentos de recolhimento, devolução, troca, ressarcimento e demais medidas previstas pelo Código de Defesa do Consumidor.
Entenda a crise
Na quinta-feira (7), a Anvisa anunciou o recolhimento de diversos produtos após identificar descumprimentos em etapas consideradas críticas do processo produtivo da empresa.
Segundo a agência, foram detectadas falhas nos sistemas de garantia de qualidade, produção e controle interno, comprometendo requisitos de Boas Práticas de Fabricação.
O órgão afirmou ainda que existia potencial risco de contaminação microbiológica nos produtos analisados, embora não tenha informado oficialmente qual microrganismo poderia estar presente nos itens afetados.
Especialistas apontam riscos
Especialistas consultados pelo Estadão explicaram que, em produtos de limpeza, contaminações microbiológicas podem reduzir a eficiência da higienização e até provocar contaminação de superfícies e utensílios.
A professora Cristiane Rodrigues Guzzo, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, afirmou que determinadas bactérias conseguem sobreviver mesmo em detergentes e produtos químicos.
Ela citou como exemplo a bactéria Pseudomonas aeruginosa, identificada em uma investigação anterior envolvendo produtos da marca no ano passado. Segundo a especialista, o microrganismo possui capacidade de resistir a agentes químicos e formar biofilmes resistentes em tubulações e superfícies.
A especialista alertou que os maiores riscos recaem sobre pessoas com imunidade comprometida ou com lesões na pele, mais suscetíveis a infecções e complicações.
Caso gera dúvidas e repercussão
O episódio provocou dúvidas entre consumidores e gerou forte repercussão nas redes sociais. Parte do público questionou a ausência de informações detalhadas por parte da Anvisa sobre os lotes afetados e sobre o possível agente contaminante.
Ao mesmo tempo, especialistas em defesa do consumidor reforçaram que a empresa precisa garantir assistência adequada aos clientes caso o recolhimento definitivo seja mantido.






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