A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, cumprida pela Polícia Federal na manhã deste sábado (22), repercutiu imediatamente dentro do condomínio Solar de Brasília, onde ele morava desde agosto.
Em grupos de WhatsApp usados pelos moradores, manifestações de celebração, preocupação e irritação se misturaram ao longo da manhã, reacendendo tensões que já vinham sendo registradas desde a chegada de Bolsonaro ao local.
Parte dos moradores relatou apreensão diante da movimentação nas ruas internas e do risco de tumultos. Outros, no entanto, comemoraram a decisão do ministro Alexandre de Moraes com queima de fogos e mensagens sugerindo confraternizações. Em meio às trocas de áudio, vídeos e emojis, o clima variou de festa a desconforto.
Comemorações e mensagens nos grupos
No grupo “Assuntos Gerais Solar BSB”, uma moradora compartilhou às 10h21 a música “É Hoje”, de Caetano Veloso. Em outra mensagem enviada no início da manhã, um participante escreveu: “Hoje tá bom pra fazer churrasco”, acompanhando o comentário com risadas e emojis.
Já uma vizinha anunciou que faria “uma festa aqui em casa” para comemorar o aniversário antecipadamente, acrescentando que esperava “não incomodar os vizinhos”.
Ao mesmo tempo, alguns moradores pediam cautela e pediam para que manifestações políticas fossem evitadas. Diversos comentários sobre a prisão, tanto de apoio quanto de críticas ao ex-presidente, foram apagados logo após serem publicados para tentar evitar conflitos diretos entre vizinhos.
Administração reforça regras
Diante do aumento das mensagens com conteúdo político, a administração reforçou as normas do grupo. “Não é permitido publicação de cunho político sob hipótese alguma”, escreveu uma das administradoras, marcando uma moradora que havia enviado comentário sobre o caso.
Pouco depois, voltou a enfatizar: “Não será permitida a publicação de nenhum assunto referente à política neste grupo”. Ela informou ainda que mensagens fora das regras seriam apagadas e que participantes reincidentes seriam excluídos.
Moradores afirmaram que, ao longo da manhã, várias mensagens com elogios ou ataques a Bolsonaro foram apagadas instantaneamente para evitar atritos.
Histórico de tensões no Solar de Brasília
A movimentação de hoje reavivou queixas acumuladas desde agosto, quando Bolsonaro se mudou para o condomínio. Moradores relatavam buzinaços, congestionamento e receio de acampamentos de apoiadores na porta do residencial. Mensagens compartilhadas à época mencionavam inclusive dificuldade de acesso ao local devido à concentração de simpatizantes.
O Solar de Brasília, no Jardim Botânico, é um condomínio de alto padrão situado a cerca de 10 quilômetros do Congresso Nacional. A casa ocupada por Bolsonaro até ser conduzido à PF é alugada e paga pelo PL.
Bolsonaro foi detido após decisão de Alexandre de Moraes que apontou risco concreto de fuga, violação da tornozeleira eletrônica às 0h08 deste sábado e a organização de uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro. Para a Polícia Federal, o ato poderia tumultuar a fiscalização das medidas cautelares e facilitar uma eventual evasão.






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