Viúva de petista assassinado vê uso político de tragédia por Bolsonaro: ‘está preocupado com a própria imagem’

A policial civil Pâmela Suellen Silva (foto), viúva do dirigente petista Marcelo Arruda, de 50 anos, assassinado a tiros em Foz de Iguaçu (PR),  vê tentativa de uso político da tragédia pelo presidente Jair Bolsonaro. Pâmela só tomou conhecimento da visita do deputado bolsonarista Otoni de Paula a dois irmãos de seu marido no início…

A policial civil Pâmela Suellen Silva (foto), viúva do dirigente petista Marcelo Arruda, de 50 anos, assassinado a tiros em Foz de Iguaçu (PR),  vê tentativa de uso político da tragédia pelo presidente Jair Bolsonaro. Pâmela só tomou conhecimento da visita do deputado bolsonarista Otoni de Paula a dois irmãos de seu marido no início desta noite, ao receber um vídeo da conversa que o presidente teve com eles por telefone. Ela diz que não foi convidada para a agenda e nem recebeu nenhum contato de Bolsonaro ou do governo lhe prestando solidariedade. Marcelo Arruda foi morto por um extremista apoiador de Bolsonaro.

“Acredito que Bolsonaro está preocupado com a repercussão política, porque, tanto no vídeo que fez no cercadinho como no que conversa com os irmãos do Marcelo, Bolsonaro diz que estão tentando colocar a culpa nele”, afirmou Pâmela à coluna da jornalista Bela Megale, do Jornal O Globo, referindo-se à declaração dada nesta terça-feira (12) pelo presidente, de que o assassino Jorge José da Rocha Guaranho, autor dos disparos contra Marcelo, também foi alvo de agressões. Bolsonaro disse que a vítima jogou uma pedra no carro de Guaranho.

Pâmela classificou a fala de Bolsonaro como “ridícula” e afirmou que o presidente tenta “distorcer o fato real”, de que Guaranho invadiu a festa com uma arma fazendo ameaças. Sobre o motivo de Otoni de Paula ter se encontrado apenas com dois irmãos de Marcelo e não ter convidado a esposa da vítima para que se manifestasse sobre o episódio, ela respondeu: “Ele os procurou porque esses dois irmãos são apoiadores do Bolsonaro, das ideias de direita. Sempre havia essa debates entre eles, mas eles se respeitavam e cada um seguia sua vida”.

Durante a conversa que teve com os dois irmãos, Bolsonaro disse que a imprensa e a esquerda têm procurado jogar a culpa do caso sobre ele. “ Possivelmente, estão preocupados só com a própria imagem”, comentou Pâmela. Ela afirmou que, se fosse convidada por Bolsonaro para um encontro, só aceitaria com a condição de dar uma coletiva de imprensa relatando os fatos que aconteceram.

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