Para além da troca de sinais ideológicos, a vitória do ex-presidente Lula nas eleições de 2022 – apontada por todas as pesquisas – terá uma simbologia especial para o Rio de Janeiro: possibilitará a retomada das obras do Comperj, o maior complexo petroquímico da América Latina, abandonadas por conta da ação criminosa da autodenominada operação Lava Jato.
Concebido na gestão do ex-presidente Lula, o empreendimento, se concluído, seria um dos maiores projetos de petróleo e gás do planeta, incluindo todas as etapas da cadeia produtiva: refino, comercialização e transporte do óleo, gás natural e derivados.
Em operação, o Comperj teria o condão de permitir a redução dos preços dos derivados, já que o país seria autossuficiente não apenas no óleo mas também na gasolina, diesel e outros subprodutos.
Após investimentos de cerca de R$ 10 bilhões, as obras foram interrompidas na esteira das prisões de diretores da Petrobrás e do ex-governador Sérgio Cabral. O combate à corrupção foi usado para implodir o maior projeto de petróleo e gás do planeta, que garantiria independência e autonomia energética ao País. Tanto é verdade que após as denúncias e as consequentes prisões se mudou a justificativa para a não retomada das obras: o refino deixou de ser prioridade da Petrobras, que passou a exportar óleo bruto e importar derivados.
Na verdade, a manobra visa a não permitir a autossuficiência real do País em relação ao petróleo. Quando se vislumbrava o fim da dependência internacional a partir das descobertas do pré-sal, logo se abdica da política de expansão do refino, para nos manter novamente presos aos interesses do capital internacional.
Paralisado em 2015, o empreendimento de 45 Km² deixou de ser prioridade para a Petrobrás. Uma enorme quantidade de empresas subsidiárias envolvidas no projeto fecharam as portas, empurrando dezenas de milhares de pessoas para o desemprego. O Comperj chegou a ter 30 mil trabalhadores contratos. A proposta original era processar 165 mil barris de petróleo nas diversas unidades da planta em Itaboraí. Em outubro de 2018, no governo Michel Temer, a Petrobras iniciou uma tentativa de acordo com a China National Oil and Gas Exploration and Development Company (CNODC), subsidiária da petroleira chinesa CNPCj. O acordo inicial previa à companhia chinesa 20% da refinaria. A Petrobras chamou a negociação na época de ‘parceria estratégica’. Em 2019, a negociação terminou sem acordo






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