Vitivinicultura do Rio é a que mais cresce no país, aponta especialista na Alerj

Congresso de enoturismo reúne produtores, pesquisadores e deputados para discutir desafios do setor no estado

O vinho entrou na mesa de discussões da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta terça-feira (19). O motivo foi o primeiro dia do III Congresso “Desafios do Enoturismo no Estado do Rio de Janeiro”, realizado no Palácio Tiradentes, sede histórica do legislativo estadual.

O evento reúne pesquisadores, produtores, representantes do poder público e instituições ligadas ao desenvolvimento da vitivinicultura fluminense, com programação prevista também para quarta-feira (20).

Setor fluminense lidera crescimento no país

A palestra magna do congresso foi ministrada por Rogério Dardeau, escritor, doutorando em Geografia pela PUC-Rio e referência da vitivinicultura brasileira. Durante a apresentação, o especialista afirmou que a vitivinicultura fluminense é atualmente a que mais cresce no país.

Dardeau destacou que o congresso chega à terceira edição mobilizando empresários, poder público e a sociedade em torno do setor, e observou que há uma movimentação muito grande em torno do vinho no estado do Rio de Janeiro.

O especialista ponderou, no entanto, que o crescimento acelerado pode trazer desafios para a consolidação dos roteiros turísticos da Serra e do Centro-Sul Fluminense, regiões que concentram o maior número de vinícolas. Segundo Dardeau, o congresso é fundamental porque reúne diferentes atores envolvidos com o setor.

Deputados apontam potencial econômico

O mediador do evento, deputado Luiz Paulo (PSD), afirmou que o congresso visa a fortalecer o enoturismo, ou seja, o turismo nas vinícolas e nos hotéis das regiões associadas.

Segundo o parlamentar, isso fortalece as diversas regiões do estado, a produção do vinho e o nome do Rio de Janeiro, gerando aumento de renda e emprego.

Ele acrescentou que, para moradores do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, visitar a região serrana fluminense é uma alternativa mais acessível e de muita qualidade.

O deputado estadual Jair Bittencourt (PL) também ressaltou o potencial econômico do interior fluminense. Ele declarou que há uma produção extraordinária no Rio de Janeiro, com grandes produtores e uma estrutura sendo montada para receber turistas.

Bittencourt afirmou ainda que o turismo no interior é um caminho natural para o desenvolvimento, gerando renda para a agricultura familiar e fortalecendo toda a cadeia produtiva ligada ao campo.

Instituições reforçam importância do evento

A mesa de abertura contou com a presença do professor Gláucio Marafon; do representante da Faperj, Marcelo Corenza; da representante da Embrapa, Cristhiane Oliveira; além de representantes do Sebrae-RJ, Faerj, Embrapa Agrobiologia, Viniserra e Aviva.

O professor Gláucio Marafon explicou que o congresso representa uma agenda de pesquisa que tem sido desenvolvida sobre o rural fluminense, identificando diferentes caminhos, como o café, o queijo, a cerveja e, agora, a crescente produção de uvas e vinhos finos. Segundo ele, o evento reúne pessoas envolvidas tanto na produção quanto na prática do enoturismo no estado.

Marcelo Corenza, da Faperj, destacou que o turismo vinculado à produção de uvas e vinhos cresce de forma acelerada e abre uma nova vertente econômica para o Rio de Janeiro.

Ele afirmou que a Faperj vem apoiando iniciativas voltadas ao agro e às indicações geográficas, e que existe a expectativa de que, em breve, o estado tenha um vinho com indicação de procedência registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Representando a Embrapa, Cristhiane Oliveira disse que o desenvolvimento não está associado apenas ao aumento da produtividade ou ao potencial de comercialização, mas também à capacidade de governança e à distribuição da riqueza gerada nos territórios.

Projeto de lei sobre o setor tramita na Alerj

Organizado pelo Departamento de Geografia e Meio Ambiente da PUC-Rio, o congresso reúne representantes de secretarias estaduais, institutos de pesquisa, universidades e produtores vitivinícolas fluminenses.

Na Alerj, tramita o projeto de lei nº 7.000/2026, de autoria do deputado Luiz Paulo, voltado ao desenvolvimento da cadeia produtiva da uva, do vinho e do enoturismo no estado.

O parlamentar afirmou que está trabalhando para fortalecer todos os aspectos debatidos no congresso, e que o projeto já está tramitando e terá pedido de pauta por ser importantíssimo para o setor.

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