Vítimas de violência policial no estado poderão ganhar um memorial

Proposta foi debatida em audiência pública da Comissão de Combate às Discriminações da Alerj. Encontro recebeu os pais deJoão Pedro, morto há quatro anos, em São Gonçalo, e familiares de outras vítimas

As vítimas de violência policial no Rio de Janeiro poderão ser homenageadas com a construção de um memorial. A proposta foi debatida na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), nesta sexta-feira (17/05), durante audiência pública da Comissão de Combate às Discriminações.

O encontro contou com a presença dos familiares de João Pedro Mattos Pinto, morto com um tiro de fuzil, em 2020, durante uma operação das polícias Civil e Federal no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. O adolescente seria uma espécie de representante símbolo do monumento.

O presidente do colegiado, deputado Professor Josemar (Psol), é quem está à frente da iniciativa. Ele informou que enviará um ofício ao governo estadual não apenas para solicitar a construção do memorial, mas também pedindo que seja reconhecida a violação dos agentes no caso do menor.

O dia 18 de maio, data da morte do João Pedro, já entrou no calendário oficial do estado como o Dia de Luta Jovem Petro Vivo, pela Lei 10.298/24. No próximo dia 28, a Comissão realizará uma nova audiência pública sobre as vítimas da violência policial.

“Queremos também que o estado se pronuncie oficialmente com um pedido de desculpas a família. É preciso que o caso avance e tenha um desfecho. Já se passaram quatro anos. Os acusados precisam ir a júri popular, como já solicitou o Ministério Público”, disse o deputado.

A espera de justiça

Segundo testemunhas, o adolescente e mais cinco amigos jogavam videogame, na casa do tio, quando policiais teriam entrado na residência atirando. Os agentes são acusados de homicídio doloso e fraude processual.

“Eles alegam que houve confronto, que entrou bandido na casa, mas eles forjaram essa situação para saírem impunes. Meu filho foi tirado de forma brutal da nossa família e até agora não tivemos resposta da Justiça”, lamentou Neilton Pinto, que é pai do adolescente. Rafaela Santos, mãe de João Pedro, relatou a dor de procurar o corpo do filho por mais de 17 horas.

“A polícia matou o meu filho e ainda tirou o corpo do local sem a família estar presente. Disse que estaria socorrendo o João”, afirmou Rafaela, que se preocupa com a demora do julgamento. “Não sabemos quanto tempo mais vamos ter que esperar”, completou.

Outros casos

Integrante do Movimento de Mães e Familiares de Vítimas da Violência Letal, Ana Lúcia de Oliveira foi outra que teve o filho assassinado há 16 anos. Segundo ela, muita gente não chega a ver a conclusão das investigações e muito menos a condenação dos acusados.

“É uma violência que a gente sofre até hoje. As mães vão ao fórum e não conseguem respostas. Mas eu acredito na força que nos une, acredito que vamos ter justiça”, disse.

Outra que perdeu o filho com dez tiros nas costas foi Sônia Bonfim. Samuel era estudante do Colégio da Polícia Militar e sonhava entrar para o Exército por influência do avô, que foi paraquedista. “Ontem mesmo recebi a notícia de uma mãe que se suicidou porque não aguentava mais”, relatou.

Para o Professor Josemar, a violência praticada contra esses jovens é reflexo de racismo institucional. “Esses processos estão diretamente envolvidos em questões raciais. A bala, que atingiu o filho de todos que estão aqui, atingiu um corpo negro. A Justiça se torna lenta porque são negros periféricos. Queremos igualdade e simetria”, cobrou o deputado.

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading