Em dezembro, às vésperas do réveillon, os cartazes que ocupavam as grades da Curva do Calombo, na Lagoa, Zona Sul do Rio, foram retirados. Inicialmente, não se sabia se seria um caso de vandalismo.
Mas, naquele 29 de dezembro, o prefeito Eduardo Paes admitiu que se tratava de uma ação do município, ressaltando a necessidade de uma “prévia autorização da prefeitura”. Nesta quinta-feira, uma reunião no Palácio da Cidade, em Botafogo, definiu que as fotos de crianças vítimas de balas perdidas poderão ser recolocadas no local.
O plano é que a ONG Rio de Paz instalará as fotos novamente no sábado (15), às 11h. Ficou definido que, posteriormente, um memorial em homenagem às vítimas da violência será erguido na Lagoa e, então, as imagens instaladas na grade, ao lado da ciclovia, voltarão a ser removidas. Na reunião, que contou com a presença de Paes, o fundador da Rio de Paz, Antonio Carlos Costa, e mães das crianças mortas homenageadas, a mediação foi da vereadora Tainá de Paula, secretária municipal de Meio Ambiente e Clima.
— Desculpa o sofrimento desse período (sem as fotos na Lagoa) para vocês. A dor de vocês é difícil dizer que a gente entende, sabe que a perda é irreparável e essa homenagem aos filhos de vocês não vamos deixar de fazer — desculpou-se o prefeito, retratando-se sobre como as placas foram removidas, admitindo falha na comunicação.

Sobre o futuro memorial, Paes pontou que, no local, serão homenageados também policiais mortos. A ideia é ainda representar “a imagem da esperança”. A homenagem que exite atualmente aos agentes, também na Lagoa, será mantida neste momento, promete o prefeito.
O sentimento ao fim da reunião foi de gratidão, segundo o fundador da Rio de Paz.
— Estamos saindo daqui muito satisfeitos. O prefeito foi humilde, reconheceu o equívoco e foi pró-ativo. Atendeu todas as nossas reivindicações — disse Antonio Carlos.
Participaram das reuniões Thamires de Assis, mãe de Ester de Assis, de 9 anos, morta em 2023, por bala perdida, em Madureira, e Bruna da Silva, mãe de Marcos Vinicius, de 14 anos, morto há 6 anos, na Maré, em operação policial, a caminho da escola. Bruna mostrou ao prefeito ainda a camisa que o filho usava, do uniforme, quando foi atingido, ainda suja de sangue.
— O prefeito Eduardo Paes se comprometeu com cada rosto e cada familiar. Isso é muito importante — disse Bruna.






