Um vídeo obtido e divulgado pelo UOL revela cenas estarrecedoras da atuação da Polícia Militar de São Paulo durante a Operação Escudo, realizada em julho de 2023 na favela Sítio Conceiçãozinha, no Guarujá. Nas imagens, policiais da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) aparecem comemorando a morte de Cleiton Barbosa Moura, de 24 anos, que foi baleado enquanto segurava seu filho recém-nascido no colo.
As imagens registradas pelas câmeras corporais dos agentes mostram frases como: “Acabou de chegar! Um indivíduo! Até que enfim, hein! Joga aí na rede, joga no grupo. Aê! Agora, sim!” proferidas por policiais momentos após o assassinato. A gravação evidencia não apenas a violência da ação, mas também o clima de celebração e insensibilidade que tomou conta dos envolvidos.
Segundo a versão apresentada pela Polícia Militar, Cleiton teria trocado tiros com os agentes e foi morto em confronto. A justificativa, porém, é contestada por familiares, vizinhos e testemunhas ouvidas na comunidade. De acordo com os relatos, Cleiton não portava arma, não reagiu à abordagem e foi arrastado para um beco, onde teria sido executado. O jovem havia se mudado recentemente para a favela com a esposa e o filho, e trabalhava como ajudante de calceteiro, recebendo seguro-desemprego.
A reação dos policiais ao episódio levantou fortes críticas e indignação de movimentos sociais, especialistas em segurança pública e organizações de direitos humanos, que apontam para a persistência de abusos cometidos por agentes do Estado, sobretudo em territórios de população pobre e negra. A divulgação das imagens reacendeu o debate sobre a impunidade das forças de segurança em operações de grande porte.
Apesar da gravidade dos fatos, o caso foi arquivado pelo Ministério Público de São Paulo. A decisão gerou questionamentos sobre a responsabilização de agentes do Estado em ações letais, especialmente quando há indícios de execução extrajudicial. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado, tanto a Polícia Civil quanto a Corregedoria da PM investigaram o caso, e a pasta afirmou que “qualquer desvio de conduta é passível de punição”. No entanto, até o momento, não há registros públicos de punições aplicadas aos envolvidos.
A Operação Escudo, deflagrada após a morte de um soldado da PM, resultou em dezenas de mortos e foi marcada por denúncias de violência excessiva. O caso de Cleiton Moura, agora exposto com as imagens das câmeras corporais, tornou-se emblemático das críticas à política de segurança pública baseada em confrontos armados e ações truculentas em comunidades vulneráveis.
Organizações da sociedade civil pedem a reabertura das investigações e a responsabilização dos agentes envolvidos. O caso também foi encaminhado a instâncias internacionais de direitos humanos, na tentativa de romper o ciclo de impunidade que, segundo as entidades, marca a atuação das forças de segurança do Estado de São Paulo.
Veja o vídeo:






