Um homem foi expulso de um ônibus por passageiros após atacar uma motorista com diversas ofensas racistas na Zona Oeste do Rio. O caso ocorreu no último sábado (27), em um coletivo da linha 754, que faz o trajeto entre Santa Cruz e o Terminal Deodoro, e foi registrado em vídeos que circulam nas redes sociais.
Nas imagens, o homem aparece exaltado e xingando a mulher. Em um dos momentos, ele chega a dizer que a trabalhadora é uma “negra que depende de preconceito, de racismo, de cota racial”.
A fala provocou revolta entre os passageiros, que reagiram às ofensas e retiraram o homem do ônibus. Durante a confusão, é possível ouvir pessoas gritando que o episódio se tratava de racismo.
Antes dos ataques, de acordo com as imagens, o passageiro reclamava do sistema de bilhetagem Jaé. A confusão teria começado depois que a motorista orientou o homem a passar pela roleta.
Motorista registrou a ocorrência na delegacia
A motorista, identificada como Thayane Martins, relatou que o passageiro aparentava estar desorientado ao entrar no coletivo e quase caiu no embarque. Em uma parada, ela aproveitou para orientá-lo a passar pela roleta para evitar que ele se machucasse durante o trajeto.
Foi nesse momento, segundo a motorista, que começaram as ofensas. O caso foi registrado na 59ª DP (Duque de Caxias). A Polícia Civil informou que investiga o episódio e realiza diligências para identificar oficialmente o autor das agressões.
A ocorrência foi registrada inicialmente como injúria por preconceito, mas a tipificação poderá ser alterada conforme o avanço das investigações.
O que diz o Rio Ônibus
Em nota, o Rio Ônibus lamentou e repudiou o episódio de racismo. A entidade informou que a empresa responsável pelo coletivo acolheu a motorista e que o departamento jurídico acompanha a ocorrência.
“A empresa acolheu a colaboradora que registrou o fato na delegacia. No momento, o departamento jurídico da empresa acompanha a ocorrência”, informou o Rio Ônibus.
Nas redes sociais, Thayane também fez um desabafo após o episódio. A motorista afirmou ter sido vítima de racismo no próprio ambiente de trabalho e destacou que o crime não pode ser tratado como brincadeira ou opinião.
“Racismo não é brincadeira, não é opinião e não é frescura. Racismo é crime. Ninguém tem o direito de me diminuir por causa da cor da minha pele. Meu lugar é onde eu escolhi estar, com a minha competência, esforço e dignidade”, escreveu.
A motorista, que trabalha há cinco anos na função, afirmou ainda que já havia passado por outros episódios de ataques racistas durante o serviço, mas que, nas ocasiões anteriores, as agressões foram rápidas e não chegaram a ser registradas.






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