Vídeo: operador de Vorcaro promete revelar à PF quem era o ‘dono’ do RioPrevidência

Investigado na Operação Compliance Zero, consultor que atuou para Daniel Vorcaro afirma que revelará à Polícia Federal quem tinha influência decisiva sobre os investimentos do RioPrevidência no Banco Master

Um dos personagens centrais da investigação que apura os investimentos bilionários do RioPrevidência no Banco Master afirmou que pretende revelar à Polícia Federal quem era o “dono” da fundação previdenciária citado em conversas interceptadas pelos investigadores. A declaração foi feita pelo consultor financeiro Ricardo Siqueira Rodrigues em entrevista concedida ao ao Metrópoles.

Alvo da 8ª fase da Operação Compliance Zero, Rodrigues atuou para o banqueiro Daniel Vorcaro na captação de recursos de fundos de previdência estaduais e municipais. A investigação da Polícia Federal apura a destinação de aportes bilionários realizados pelo RioPrevidência em produtos financeiros ligados ao Banco Master.

Segundo reportagem do Metrópoles, o consultor decidiu falar publicamente após a operação que teve como um dos alvos o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Em um áudio enviado a Vorcaro em 2023 e reproduzido na investigação, Rodrigues afirmou que o RioPrevidência tinha um “dono” e que seria necessária uma articulação política para viabilizar determinados investimentos.

Agora, ele diz estar disposto a revelar às autoridades quem seria essa pessoa.

“Esse dono específico, com relação ao Rio de Janeiro, eu estou aguardando aqui para poder prestar depoimento dentro dos próximos dias à Polícia Federal ou à PGR. Prefiro que essa informação seja divulgada primeiro neste depoimento lá”, afirmou ao Metrópoles.

Influência além do governador

Na entrevista, Rodrigues afirmou que Cláudio Castro possuía influência natural sobre o instituto por ser governador do estado à época dos investimentos, mas sustentou que outras figuras também tinham peso relevante nas decisões relacionadas ao RioPrevidência.

“O Cláudio Castro, com quem eu nunca tive contato, é claro que tinha uma influência enorme, já que era o governador do Estado. Mas eu entendo que não era só ele que tinha influência bem elevada com relação à possibilidade ou não de liberar esses investimentos”, declarou.

Nos bastidores da política fluminense, a indicação de dirigentes do RioPrevidência durante a gestão Castro é frequentemente associada ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. O dirigente, no entanto, nega qualquer influência sobre o órgão.

Questionado sobre o assunto, Rodrigues evitou citar nomes, mas reconheceu já ter ouvido comentários sobre possíveis influências políticas na fundação.

Investimentos bilionários sob investigação

De acordo com as informações reunidas pela Polícia Federal, o RioPrevidência aplicou cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master entre outubro de 2023 e julho de 2024. Posteriormente, outros R$ 2 bilhões foram investidos em fundos ligados à instituição financeira.

A PF descreve Rodrigues como um articulador responsável por aproximar o banco de gestores de fundos de previdência. Os investigadores afirmam que ele recebia comissão sobre os valores captados.

O consultor contesta parte dessas conclusões. Ao Metrópoles, ele negou ter atuado como lobista político e afirmou que sua participação se limitava à prestação de consultoria técnica. Também disse que nunca recebeu recursos do RioPrevidência e que os pagamentos pelos serviços prestados ocorreram por meio de uma empresa terceirizada.

Nova frente da investigação

Rodrigues informou ainda que foi contratado em 2023 para auxiliar o Banco Master após a instituição receber autorização para ampliar a captação de recursos junto aos regimes próprios de previdência.

Segundo ele, a relação profissional com Vorcaro terminou em setembro de 2024, em meio ao aumento das controvérsias envolvendo o banco e às negociações que culminaram na operação com o Banco de Brasília (BRB).

A expectativa agora é que o depoimento prometido pelo consultor à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República possa trazer novos elementos para uma das investigações mais sensíveis envolvendo o RioPrevidência, o Banco Master e figuras influentes da política fluminense.

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