Uma frase atribuída ao operador financeiro Ricardo Siqueira Rodrigues, conhecido no mercado como “Ricardo Gordo”, passou a ocupar posição central na investigação da Polícia Federal sobre os aportes bilionários do Rioprevidência no Banco Master. Em conversa extraída do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, o operador afirmou que “o RPPS tem dono e esse dono precisa autorizar os caras internamente” .
A sigla significa Regime Próprio de Previdência Social. É o sistema de previdência exclusivo para servidores públicos concursados (efetivos). Segundo a representação enviada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, investigadores interpretam a expressão como uma possível referência ao ex-governador Cláudio Castro.
A mensagem integra o material reunido pela PF para pedir a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Castro e de outros sete investigados no caso envolvendo a suposta captação irregular de recursos do Rioprevidência pelo Banco Master, segundo revela reportagem de O Globo.
Aportes milionários
De acordo com a investigação, os aportes do fundo previdenciário estadual em Letras Financeiras do Banco Master começaram em novembro de 2023 e somaram R$ 970 milhões até julho de 2024. Considerando outros investimentos e fundos, o volume total analisado pela PF chegaria a aproximadamente R$ 3,7 bilhões.
Os investigadores afirmam que, antes das aplicações milionárias, Ricardo Siqueira já havia sinalizado a Vorcaro que os investimentos dependeriam de “alinhamento político”.
O primeiro aporte ocorreu em 1º de novembro de 2023, no valor de R$ 40 milhões. Poucos dias depois, segundo registros extraídos do celular do banqueiro, Vorcaro recebeu Cláudio Castro em sua residência. Em 10 de novembro, veio um novo aporte de R$ 80 milhões.
A PF sustenta que a sequência de encontros e movimentações financeiras reforça suspeitas sobre influência política nas decisões do fundo previdenciário.
Nomeações sob suspeita
Outro ponto destacado pela investigação envolve mudanças na estrutura do Rioprevidência feitas por Cláudio Castro entre julho e outubro de 2023. Segundo a PF, nesse período foram nomeados gestores que passaram a ocupar cargos estratégicos dentro do fundo.
Entre os nomes citados estão Deivis Marcon Antunes, indicado para a presidência do órgão; Euchério Lerner Rodrigues, nomeado para a Diretoria de Investimentos; e Pedro Pinheiro Guerra Leal, escolhido para a Gerência de Investimentos.
A PF destaca ainda que a nomeação de Euchério foi publicada no Diário Oficial no mesmo dia em que o Banco Master pediu credenciamento junto ao Rioprevidência.
Em outra mensagem citada pela investigação, Ricardo Siqueira comemorou com Vorcaro o que chamou de “cumprimento integral da missão proposta” em apenas 45 dias.
Crimes investigados
Para os delegados responsáveis pela representação, o conjunto de mensagens, encontros e movimentações financeiras pode indicar crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e organização criminosa.
Além de Cláudio Castro e Ricardo Siqueira Rodrigues, a PF pediu a quebra de sigilo de ex-dirigentes do Rioprevidência, da ex-gerente de Controle Interno e Auditoria do fundo e de empresas ligadas ao caso.
A investigação está ligada à Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF em novembro do ano passado, e também à Operação Barco de Papel, em andamento na Justiça Federal do Rio.
Até o momento, as defesas de Cláudio Castro, Daniel Vorcaro e Ricardo Siqueira Rodrigues não haviam se manifestado. O espaço permanece aberto para posicionamentos.






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