A Polícia Civil investiga a agressão sofrida por uma estudante de 17 anos dentro do Colégio Estadual Arnoldo Abruzzini da Fonseca, em Sepetiba, na Zona Oeste. Segundo a família da adolescente, o episódio pode estar relacionado a casos de intolerância religiosa envolvendo a jovem, que é praticante do candomblé.
O caso ganhou repercussão após imagens gravadas dentro de uma sala de aula registrarem a violência. As gravações mostram o momento da confusão e passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Família relata histórico de preconceito
De acordo com a mãe da estudante, a adolescente já havia enfrentado desentendimentos com colegas por causa de sua religião. Ela afirma que a filha é adepta do candomblé e que vinha sendo alvo de comentários e situações de constrangimento relacionados à sua fé.
Em depoimento à Polícia Civil, a responsável informou que esta foi a primeira vez que os conflitos resultaram em agressão física. Segundo o relato, a jovem foi atacada com socos, chutes e puxões de cabelo por outros estudantes dentro da unidade escolar.
A mãe também relatou que a filha recebeu, em um grupo de mensagens formado por alunos da escola, fotografias acompanhadas de deboches e comentários ofensivos relacionados às vestimentas utilizadas em rituais da religião de matriz africana.
Exame confirma lesões
Após a agressão, a adolescente foi submetida a exame de corpo de delito. O laudo apontou lesões no braço esquerdo e na coxa esquerda, classificadas como provocadas por ação contundente.
As informações coletadas até o momento estão sendo analisadas pela Polícia Civil, que busca esclarecer as circunstâncias do episódio e identificar todos os envolvidos.
Em nota, a corporação informou que testemunhas já estão sendo ouvidas e que trabalha para identificar os responsáveis pela agressão. Os suspeitos são menores de idade.
Secretaria abre sindicância
A Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro afirmou que lamenta o ocorrido e reiterou que repudia qualquer forma de preconceito, discriminação ou violência no ambiente escolar.
A pasta informou ainda que instaurou uma sindicância para apurar os fatos e avaliar eventuais medidas administrativas. Entre as providências em análise está a transferência das alunas envolvidas para outras unidades da rede estadual.
Segundo a secretaria, representantes da escola e da rede estadual mantêm contato com a família da estudante para oferecer acolhimento e acompanhamento durante a apuração do caso. As investigações seguem em andamento para determinar se a agressão teve motivação ligada à intolerância religiosa.






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