A deputada estadual e vascaína Dani Monteiro (PSOL) resolveu colocar o time em campo para tentar reverter a decisão que deixou o Vasco da Gama longe do Maracanã em um dos jogos mais importantes da temporada.
Nesta terça-feira (29), a parlamentar enviou um ofício ao Consórcio Maracanã pedindo a revisão da negativa para que o clube dispute no estádio a partida contra o Boca Juniors, marcada para o dia 20 de outubro, pela semifinal da Copa Sul-Americana.
Responsável pela gestão do estádio, o consórcio apontou, entre as justificativas para negar a solicitação, as condições do gramado, o calendário de partidas e até os efeitos do fenômeno El Niño. Além do Consórcio Maracanã, a Secretaria de Estado de Casa Civil também foi oficiada pelo mandato da deputada.
Dani contesta os argumentos apresentados e cobra explicações sobre os critérios utilizados para definir quais clubes e eventos podem ocupar o estádio. “O Maracanã é um equipamento público e não pode ser administrado como se tivesse dono, estamos falando de uma concessão”, afirmou.
Deputada pede laudos e estudos
No documento, Dani solicita que o consórcio apresente os estudos técnicos, laudos agronômicos e pareceres utilizados para fundamentar a negativa ao pedido do Vasco para o confronto de 20 de outubro. Ela também quer conhecer os critérios adotados para autorizar ou recusar a realização de partidas e outros eventos.
A parlamentar questiona, especialmente, como as condições do gramado são consideradas na elaboração do calendário do estádio, que também recebe eventos não relacionados ao futebol.
“É preciso explicar por que o gramado serve para uma partida da NFL, para grandes eventos e para diferentes programações, mas, quando chega a vez do Vasco enquanto mandante, surgem todos os tipos de justificativa para impedir o uso do estádio”, argumentou Dani.
O ofício também cobra tratamento isonômico entre os clubes que utilizam ou solicitam o Maracanã. Para a deputada, eventuais critérios técnicos precisam ser transparentes e aplicados da mesma maneira a todas as equipes.
“Se existe um critério técnico, que ele seja público, transparente e aplicado igualmente a todos, inclusive aos times do consórcio. O que não pode existir é uma regra para cada clube”, declarou.
Relação histórica com o estádio
Ao defender a revisão da decisão, Dani também recorre à ligação histórica entre o Vasco e o Maracanã. A parlamentar menciona a trajetória do clube no futebol brasileiro e sua relação com a luta contra o racismo e pela ampliação da participação de jogadores negros e de origem popular no esporte.
“Não estamos falando sobre qualquer clube de várzea, mas de um dos maiores do Brasil, jogando três dos maiores campeonatos do continente”, afirmou.
A deputada também destacou a relação da torcida vascaína com o estádio e citou a estátua de Bellini, capitão da Seleção Brasileira campeã mundial de 1958 e ex-jogador do Vasco, instalada em frente ao Maracanã.
“O Vasco tem uma história que se confunde com a democratização do futebol e com a luta contra o racismo. A gigante torcida vascaína também é parte da história do Maracanã; não à toa existe a estátua do Bellini ali”, completou.







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