A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou, em primeira discussão, a criação da chamada Zona Sudoeste, uma nova divisão territorial que retira da Zona Oeste bairros como Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Recreio dos Bandeirantes, Vargem Grande e Joá. O projeto, de autoria do vereador Dr. Gilberto (Solidariedade), recebeu 27 votos favoráveis e cinco abstenções, e ainda passará por segunda votação antes de seguir para sanção ou veto do prefeito.
Segundo o texto aprovado, a Zona Oeste passará a englobar apenas os bairros da Área de Planejamento 5 (AP 5), como Campo Grande, Santa Cruz e Guaratiba. A nova Zona Sudoeste reunirá áreas que, de acordo com o autor da proposta, apresentam características urbanas e demandas específicas, o que justificaria a separação administrativa.
— A justificativa é simples: queremos qualificar a geografia do município e orientar o crescimento da cidade de forma sustentável, afirmou Gilberto no plenário, sendo o único a defender o projeto durante a sessão. A proposta não prejudica ninguém e ajuda a melhorar políticas públicas, infraestrutura e segurança.
Divisão administrativa reacende debate sobre identidade e desigualdade
A medida, porém, gerou reação negativa em parte da população. Para críticos, a nova delimitação pode reforçar estereótipos e criar divisões desnecessárias entre regiões da cidade. O presidente da Câmara Comunitária da Barra, Delair Dumbrosck, lamentou a decisão.
— Zona Sudoeste? Os vereadores têm tantas questões urgentes para resolver… Em vez de valorizar a chamada Zona Oeste raiz, vão acabar discriminando ainda mais a região — e, consequentemente, os moradores da Barra, declarou.
A discussão ocorre em meio a outro caso de redivisão territorial: nesta semana, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio considerou inconstitucional a lei que criava o bairro Fazenda Botafogo, desmembrado de Coelho Neto. A corte acatou argumento da Procuradoria do Município de que a mudança contrariava o Plano Diretor e aumentaria despesas públicas sem previsão orçamentária.
Próximos passos e possíveis impactos
O projeto da Zona Sudoeste deve voltar ao plenário ainda em agosto para a segunda e última votação. Se aprovado novamente, seguirá para análise do prefeito, que poderá sancionar ou vetar a lei.
Especialistas em urbanismo alertam que alterações territoriais desse tipo precisam considerar impactos sobre a prestação de serviços, arrecadação e investimentos em infraestrutura. Embora a proposta não crie novos bairros, a reorganização geográfica pode exigir ajustes administrativos e orçamentários.
O debate sobre as mudanças no mapa da cidade se soma a outras discussões recentes sobre ordenamento urbano no Rio, incluindo propostas de requalificação de áreas e revisão de zoneamentos. Para entender mais sobre como divisões territoriais afetam o planejamento municipal.






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