Ventania no Rio e em SP mata cinco; entenda por que rajadas foram tão fortes

Contraste entre uma frente fria e uma massa de ar quente provocou forte diferença de pressão, com rajadas próximas de 100 km/h

Fortes rajadas de vento atingiram os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (29), deixando ao menos cinco mortos e provocando uma série de estragos. Apesar dos alertas emitidos pela Defesa Civil, a intensidade do fenômeno surpreendeu moradores e causou quedas de árvores e muros, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia e ressaca no litoral.

A ventania ocorreu durante o avanço de uma frente fria pelo Sudeste. Segundo meteorologistas, o fenômeno foi intensificado pelo encontro da massa de ar frio com uma massa de ar quente que estava estacionada sobre a região central do país.

Esse choque criou uma diferença acentuada de temperatura e pressão atmosférica, fazendo com que o ar se deslocasse rapidamente das áreas de maior pressão para as regiões de menor pressão.

Contraste térmico intensificou os ventos

Antes da chegada de uma frente fria, ocorre um período chamado de condição pré-frontal. Nessa fase, as temperaturas podem aumentar e favorecer uma diferença ainda maior de pressão quando o ar frio avança.

O meteorologista Guilherme Borges, da startup de monitoramento climático FieldPro, explicou que a diferença de temperatura provoca uma diferença de pressão, que, por sua vez, gera os ventos.

— Hoje a gente tinha uma frente fria se deslocando em direção ao estado de São Paulo, que chegou mais para o final do dia. Como é uma massa muito fria e encontra uma massa de ar quente que fica estacionada na região central do país nesta época do ano, ocorre um forte contraste térmico — explicou.

Quanto maior a diferença de pressão entre as duas massas de ar, maior tende a ser a velocidade do vento. Como as rajadas avançavam em direção ao litoral paulista, ganharam intensidade ao longo da faixa leste do estado e chegaram perto dos 100 km/h em algumas regiões.

No Aeroporto de Congonhas, na capital paulista, a temperatura chegou a 29°C às 13h. Após a entrada do vento frio, os termômetros marcaram 21°C apenas 30 minutos depois. Mais tarde, foram registradas rajadas de aproximadamente 70 km/h.

Por que é difícil prever a força das rajadas

O meteorologista Felipe Espíndola, da Defesa Civil de São Paulo, comparou a frente fria a uma faixa estreita sobre o mapa do Sudeste. De cada lado dessa faixa existem massas de ar com temperaturas e pressões diferentes, e o contraste entre elas provoca os ventos.

Ele destacou, no entanto, que nem toda frente fria produz rajadas intensas ou tempestades severas. A força do fenômeno depende de fatores como pressão atmosférica, temperatura, umidade e velocidade de deslocamento do sistema.

— É possível prever a chegada da frente fria com três ou quatro dias de antecedência, mas prever as rajadas é mais difícil, porque não temos tantos dados observados — afirmou.

Segundo o especialista, uma previsão mais precisa sobre a intensidade dos ventos geralmente só pode ser feita de um dia para o outro, porque as rajadas se formam dentro da própria frente fria.

Como se proteger durante uma ventania

Antes da chegada de ventos fortes, a Defesa Civil recomenda verificar a resistência do telhado, manter árvores podadas e retirar de locais elevados objetos que possam cair. Aparelhos elétricos e o registro de gás também devem ser desligados em situações de risco.

Durante a ventania, a orientação é buscar abrigo em um local seguro, longe de árvores, postes, coberturas metálicas, vidros e janelas. Trabalhos em andaimes ou estruturas metálicas devem ser interrompidos.

Motoristas devem evitar estacionar ou circular perto de cabos elétricos, outdoors, torres de transmissão, árvores e estruturas que possam desabar.

Após o fenômeno, a população não deve se aproximar de fios elétricos caídos. Ocorrências devem ser comunicadas à Defesa Civil ou ao Corpo de Bombeiros. Reparos em telhados também devem ser feitos por profissionais especializados.

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