Mesmo após o Republicanos indicar que ele estava fora da disputa pelo Palácio Tiradentes, o senador Cleitinho Azevedo (Rep-MG) afirmou nesta quarta-feira (29) que continuará na corrida pelo Governo de Minas Gerais. O anúncio, feito durante uma coletiva em Divinópolis, amplia a crise interna do partido e coloca em dúvida a estratégia eleitoral da legenda no estado.
Ao lado de familiares, aliados e do ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luís Eduardo Falcão, apontado como possível candidato a vice-governador, Cleitinho foi direto ao responder sobre seu futuro político. “Eu sou candidato”, declarou.
O senador disse que adiou o anúncio da candidatura em respeito ao luto pela morte do irmão caçula, Matheus Azevedo, falecido no último dia 18 de julho. Segundo ele, o partido não considerou esse momento pessoal antes de divulgar que o prazo para oficializar sua intenção de disputar o governo havia se encerrado.
Durante a coletiva, Cleitinho afirmou que havia um entendimento para que o lançamento da candidatura ocorresse em 5 de agosto e disse ter cumprido o compromisso de comunicar sua decisão dentro do prazo acertado com a direção partidária. Ele também pediu desculpas caso sua postura tenha causado desconforto na legenda e revelou ter enviado uma carta ao presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (Rep-SP).
Apesar do impasse, o senador evitou fazer críticas ao dirigente nacional e afirmou esperar uma reunião para tentar reverter a situação. Segundo ele, a intenção é conversar com Marcos Pereira e buscar um entendimento que permita sua candidatura ao governo mineiro.
Cleitinho também rebateu críticas de adversários e afirmou estar preparado para disputar a eleição. Disse que lidera pesquisas de intenção de voto e justificou a decisão de entrar na disputa pelo apoio popular. “A voz do povo é a voz de Deus. Eu serei candidato”, afirmou.
Crise no Republicanos
A declaração ocorreu horas depois de o presidente nacional do Republicanos informar que Cleitinho não disputaria o governo de Minas. Em seguida, a assessoria do senador divulgou nota afirmando que ele continuava como pré-candidato, evidenciando o conflito entre a direção nacional e o grupo político do parlamentar.
O Republicanos informou que aguardou por meses uma definição do senador, mas decidiu reorganizar sua estratégia diante da falta de confirmação oficial da candidatura. Com isso, a legenda anunciou apoio ao ex-secretário de Governo de Minas, Marcelo Aro (PP), para a disputa estadual.
Cenário eleitoral
Pela legislação eleitoral, Cleitinho pode deixar o Republicanos sem perder o mandato de senador. No entanto, ele não pode trocar de partido para disputar o Governo de Minas neste ano, já que o prazo de filiação partidária terminou em 4 de abril. Assim, uma eventual candidatura depende do registro pelo próprio Republicanos, que detém a palavra final sobre a inscrição dos candidatos na eleição.
Na véspera do anúncio, Cleitinho publicou nas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial em que imagens recriadas digitalmente de seu pai e de seu irmão, ambos já falecidos, aparecem incentivando o senador a seguir em frente e disputar o governo estadual. O episódio ganhou repercussão nas redes sociais e antecedeu o anúncio que aprofundou o impasse dentro do partido.






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