Uma operação conjunta da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (Sedcon) e do Procon-RJ colocou em evidência possíveis irregularidades na distribuição de ingressos de gratuidade em uma partida de futebol no Rio de Janeiro entre Vasco da Gama e Olimpia. A ação foi motivada por denúncia sobre diferenças no acesso entre ingressos gratuitos e pagos.
De acordo com a fiscalização, o modelo adotado pelo clube estabelece etapas distintas para a venda de ingressos, divididas entre sócios, público geral e visitantes. No entanto, o processo para obtenção das gratuidades segue um caminho diferente, o que pode impactar o acesso ao benefício.
Ingressos de futebol no RJ entram na mira do Procon-RJ e Sedcon após denúncias de dificuldades no acesso a gratuidades em comparação com ingressos pag
Segundo informações apuradas, o torcedor que busca a gratuidade precisa realizar um cadastro prévio com biometria facial e envio de documentos. Esse material passa por análise, com prazo de até 48 horas após a solicitação.
A aprovação pode ocorrer até mesmo no dia da partida, sendo informada por e-mail ou pelo site. Já os ingressos pagos são liberados de forma mais direta, com validação por reconhecimento facial no momento do acesso ao estádio.
Janela limitada para retirada
Outro ponto identificado pela equipe técnica foi a limitação no período de retirada das gratuidades. Para a partida entre Vasco e Olimpia, marcada para 30 de abril de 2026, o resgate dos ingressos gratuitos ocorreu apenas no dia 24 de abril, entre 10h e 18h.
Em contraste, os ingressos pagos não tiveram essa restrição de horário, podendo ser utilizados diretamente no dia do jogo. A diferença de procedimentos foi apontada como um possível fator de dificuldade para os consumidores que têm direito ao benefício.
Falta de informações claras
A fiscalização também identificou ausência de informações detalhadas no site sobre o número de ingressos destinados ao público geral e às gratuidades. A falta de transparência é outro ponto considerado relevante na análise dos órgãos de defesa do consumidor.
Segundo os técnicos, essas práticas podem estar em desacordo com o Código de Defesa do Consumidor e com a Lei Estadual nº 10.589/2024, que tratam do direito à informação e da garantia de acesso em condições iguais.
Clube é notificado
Diante das constatações, o fornecedor do Clube Vasco da Gama foi notificado e deverá apresentar, dentro do prazo legal, as medidas adotadas para adequar o procedimento às normas vigentes.
O secretário de Estado de Defesa do Consumidor, Rogério Pimenta, destacou a importância de assegurar igualdade no acesso aos ingressos.
“A gratuidade é um direito garantido por lei e precisa ser respeitado na prática. Não é aceitável que o consumidor que tem esse direito enfrente mais barreiras do que aquele que paga pelo ingresso. Nosso papel é assegurar que todos tenham acesso em condições justas, com transparência e respeito às regras”, afirmou.
O caso segue sob acompanhamento dos órgãos responsáveis, que aguardam a resposta do clube sobre as medidas corretivas. A análise busca verificar se haverá ajustes para garantir que o acesso às gratuidades ocorra nas mesmas condições oferecidas aos ingressos pagos.





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