Uma campanha de financiamento coletivo que juntou mais de US$ 40 milhões (cerca de R$ 222,3 milhões) pelo assassinato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi vinculada a um ex-funcionário da principal rede de propaganda estatal do Irã. A iniciativa teria sido organizada por um grupo chamado Blood Covenant (Pacto de Sangue), que dizia buscar “justiça” contra aqueles que ameaçam líderes religiosos iranianos.
Segundo o Middle East Media Research Institute (MEMRI), um instituto de pesquisa com sede nos EUA, o grupo opera supostamente sob proteção do regime iraniano.
A vaquinha foi descrita como um “chamado à jihad”, incentivando seguidores a contribuir financeiramente e até arriscar a própria vida. Em seu site, o grupo prometia recompensar qualquer pessoa que levasse “à justiça” os responsáveis por ameaçar o “vice do Imam Mahdi”, figura central do xiismo. Além dos US$ 40,3 milhões prometidos, o site afirmava que o autor do atentado também seria recompensado com o Paraíso e o título de “defensor do Islã”.
A identidade por trás da campanha foi atribuída a Hossein Abbasifar, cidadão iraniano que, segundo análise dos pesquisadores Max Lesser e Maria Riofrio, da Fundação para a Defesa das Democracias (FDD), trabalhou anteriormente na Islamic Republic of Iran Broadcasting (IRIB), a emissora estatal do país. A conexão entre Abbasifar e o grupo Blood Covenant teria sido identificada por meio de metadados do site da campanha.
Um alto funcionário do Departamento de Estado dos EUA disse ao Washington Free Beacon que o governo está ciente das ameaças e continua empenhado em responsabilizar os autores. “Estamos usando todas as ferramentas disponíveis, inclusive sanções, para implementar a estratégia de pressão máxima do presidente”, afirmou.
Essa escalada de tensões acontece após a emissão de uma fatwa (decreto religioso) pelo aiatolá Naser Makarem Shirazi, uma das principais autoridades xiitas do Irã. O decreto condenava tanto Trump quanto o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, acusando-os de ameaçar a liderança da República Islâmica e a unidade da comunidade muçulmana global. A fatwa classificava qualquer um que agisse contra essa liderança como “mohareb” — termo religioso que significa “inimigo de Deus” ou “guerreiro contra Deus”.







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