Turista argentina acusada de racismo diz viver sob ameaça e permanece impedida de deixar o Rio

Com tornozeleira eletrônica, Agostina Paez aguarda desdobramentos do processo e pode permanecer até 90 dias no Brasil

A turista argentina Agostina Paez, de 29 anos, acusada de injúria racial contra funcionários de um bar em Ipanema, permanece com tornozeleira eletrônica e está proibida de sair do estado do Rio de Janeiro. Os pais da jovem chegaram ao Brasil no sábado (7) para acompanhá-la durante o andamento do processo judicial.

Após ter sido presa na sexta-feira (6), Agostina teve a prisão revogada no dia seguinte, mas continuou submetida a medidas cautelares impostas pela Justiça. Além da restrição de deslocamento, o passaporte da turista foi apreendido, o que impede seu retorno imediato à Argentina.

Medo, exposição e críticas às autoridades

Em entrevista concedida a um veículo argentino, Agostina afirmou que vive sob constante tensão desde que o caso ganhou repercussão. “Estou em perigo, recebo ameaças constantemente”, disse.

Ela também relatou sentir-se excessivamente exposta e afirmou que evita aparecer em público. Segundo a turista, a cobertura da imprensa em seu país de origem teria sido mais equilibrada, enquanto no Brasil ela avalia que o tratamento recebido tem sido mais severo.

“Estou presa, com medo. No Brasil, o crime de discriminação e racismo é grave, é por isso que tudo isso acontece”, afirmou em outro momento, ao comentar as consequências legais do caso.

Acusação de injúria racial em bar de Ipanema

O episódio que motivou a investigação ocorreu no dia 14 de janeiro, em um bar de Ipanema, na zona sul do Rio. De acordo com o relato de um dos funcionários, a confusão começou após uma discussão envolvendo um suposto erro na cobrança da conta. Enquanto o atendente verificava as imagens das câmeras de segurança, teria pedido que a cliente aguardasse no local.

Ainda segundo o funcionário, nesse momento a turista passou a proferir ofensas racistas. O homem decidiu gravar a situação e, nas imagens, a mulher aparece fazendo gestos associados a um macaco e emitindo sons do animal em direção a ele. Também é possível identificar o uso da palavra “mono”, termo em espanhol que significa “macaco”.

Em depoimento à polícia, Agostina afirmou que os gestos teriam sido uma brincadeira direcionada às amigas e negou que tivesse a intenção de ofender o funcionário do bar. Ela sustenta que não mentiu em suas declarações e que sua versão dos fatos já teria sido comprovada.

Processo judicial e próximos passos

A defesa da turista informou que o processo pode se estender por mais tempo do que o inicialmente previsto. Segundo o advogado Sebastián Robles, Agostina pode ser obrigada a permanecer no Brasil por até 90 dias, enquanto as diligências seguem em andamento. “É um processo muito longo, então temos que esperar”, afirmou.

A turista ainda poderá ser convocada para novos depoimentos nos próximos dias, conforme o avanço da investigação. Até lá, segue submetida às medidas cautelares e acompanhada pelos pais, enquanto aguarda uma definição sobre sua situação judicial no país.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading