O turismo regional entrou para o debate nesta quinta-feira (2), durante o segundo painel do Seminário de Turismo RJ, realizado em São Conrado, na Zona Sul da capital. O encontro reuniu representantes do poder público e convidados para discutir a descentralização do fluxo turístico para além do eixo tradicional.
Participaram do painel o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Rio das Ostras, Pablo Kling; o proprietário do parque Terra dos Dinos, Márcio Clare e o subsecretário de Turismo do Rio, Nilo Sérgio. A mediação ficou a cargo de Adriana Homem Carvalho, diretora de Turismo Social, Hotelaria e Alimentação do Sesc RJ.
Ao longo da discussão, os participantes destacaram entraves históricos e a necessidade de articulação entre diferentes esferas para consolidar o setor em outros municípios do estado.
Para Pablo Kling, a principal dificuldade é atrair investimentos sem um ambiente estruturado. “O setor do turismo é essencialmente privado. Cabe ao poder público fazer com que a gente consiga tornar, pelo menos, o terreno fértil”, afirmou.
Segundo o secretário, a atuação do poder público deve funcionar para reduzir barreiras e facilitar processos para o empreendedor.
“Se chega um empreendedor e fala ‘vamos implantar um parque temático aqui’, e aí esbarra numa licença ambiental, isso é problema dele? Não é. Eu tenho que tomar aquilo para mim como um problema meu”, disse.
O encontro também contou com o empresário Márcio Clare, proprietário do parque Terra dos Dinos, localizado em Miguel Pereira. O parque temático elevou o setor turístico na região ao ser exaltado como “Jurassic Park brasileiro”.
Representando o setor privado, Clare trouxe exemplos práticos dos desafios enfrentados por quem investe no turismo, com um exemplo recente.
“Eu estou com um problema também inacreditável. Eu trouxe um dinossauro, um robô pequenininho, criei um ambiente para ele operar. O dinossauro custa dois mil dólares. Até hoje a Alfândega não liberou o dinossauro”, relatou.
Por outro lado, o empresário destacou o potencial econômico do setor. “Hoje, por exemplo, em Terra dos Dinos, em Miguel Pereira, a gente gera uns 200 empregos diretos”, afirmou.
Segundo ele, o turismo movimenta uma cadeia ampla de serviços e tende a atrair investidores. “O empresário tem investido no turismo porque entende que existe essa perpetuidade. É a bola da vez, é um gerador de caixa, é uma receita constante”.
Cenário é de crescimento
Já o subsecretário de Turismo do Estado, Nilo Sérgio, apontou que o cenário atual é de crescimento, apesar dos obstáculos. “Esse momento que nós estamos vivendo é um momento ímpar”, disse.
De acordo com ele, o desempenho é resultado de políticas de promoção e investimento. “Nada em promoção, divulgação e fomento funciona sem recurso”, acrescentou.
Ele também apresentou números que complementam o contexto de expansão. O estado recebeu 2,2 milhões de turistas internacionais em 2025, com meta de chegar a 2,5 milhões em 2026.
Apenas nos dois primeiros meses deste ano, o Rio ultrapassou São Paulo em número de visitantes estrangeiros.
Seminário de Turismo RJ
O Seminário de Turismo RJ foi promovido pela Agenda do Poder em parceria com o Correio da Manhã, sendo estruturado em três painéis temáticos.
O primeiro foi dedicado ao Carnaval, considerado um dos principais motores do turismo no estado.
Já o último painel fará um balanço da alta temporada de verão, com projeções e tendências para os próximos anos.
*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes







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