A ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), rejeitou o pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) npara retirar do Instagram um vídeo que o chama de “mentiroso Master”. A decisão mantém a publicação no ar e considera que não ficou comprovada a divulgação irregular de informações falsas ou a manipulação grave de declarações para enganar os eleitores.
O vídeo foi publicado em 26 de setembro de 2026, em uma postagem conjunta ligada à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e foi compartilhado pela então candidatao ao Senado por Santa Catarina, Gleisi Hoffmann (PT), e pelo deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro, Marcelo Freixo.
Com 46 segundos de duração, a gravação reúne críticas ao senador e candidato à Presidência da República, incluindo referências ao banqueiro Daniel Vorcaro, acusado do maior escândalo financeiro do país. As imagens fazem um levantamento sobre supostas mentiras durante a campanha e sobre a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida.
A defesa do senador alegou que a gravação utilizava cortes de entrevistas e montagens fora de contexto para prejudicar sua imagem e induzir o eleitor a erro. O pedido à Justiça Eleitoral buscava a remoção imediata do conteúdo e a proibição de novas publicações.
A ministra Estela Aranha porém, entendeu que não havia elementos suficientes para justificar a intervenção da Justiça Eleitoral. Ela considerou que críticas duras a adversários fazem parte do debate político, desde que não fique comprovada uma irregularidade que justifique a retirada do material.
O que o TSE decidiu?
Relação com Daniel Vorcaro
O vídeo questiona declarações de Flávio Bolsonaro sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo se os dois se conheciam, o recebimento de valores e uma viagem em jato particular.
A defesa alegou que uma das falas foi retirada do contexto original e que a edição poderia sugerir, indevidamente, que o senador recebeu dinheiro pessoalmente. A ministra, porém, observou que o vídeo identificava reportagens utilizadas como fonte e não encontrou distorção evidente que justificasse a retirada da publicação.
A afirmação de “pelo menos 43 mentiras”
Outro trecho atribui ao senador pelo menos 43 mentiras durante a campanha eleitoral. Flávio questionou a falta de comprovação do número e os critérios utilizados para chegar à contagem.
A decisão considerou que a expressão fazia referência ao título de um levantamento da agência de checagem Aos Fatos, identificada no próprio vídeo. Por isso, a ministra não entendeu que estivesse demonstrado que o número havia sido inventado pelos responsáveis pela publicação.
O apelido “mentiroso Master”
A defesa também contestou o uso da expressão, alegando que o termo era ofensivo e ultrapassava os limites da crítica eleitoral.
Para Estela Aranha, porém, a expressão representa uma avaliação negativa da credibilidade do adversário político. Na decisão, o entendimento foi de que o uso de uma palavra dura ou depreciativa, por si só, não torna uma propaganda eleitoral irregular.
A referência a Nossa Senhora Aparecida
O vídeo recupera uma entrevista em que Flávio Bolsonaro nega a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Na sequência, a gravação questiona se o eleitor pode confiar no candidato.
A defesa argumentou que a montagem poderia levar o público a acreditar que a negativa era falsa. A ministra, entretanto, considerou que o material reproduz a pergunta e a resposta do próprio senador, na qual ele afirma que a informação não é verdadeira.
Segundo a decisão, o trecho questiona a credibilidade do candidato, mas não afirma diretamente que ele pretende retirar o título da santa. Por isso, foi interpretado como uma crítica política, e não como a divulgação comprovada de uma informação falsa.
Vídeo continuará disponível no Instagram
Com a decisão, o pedido de Flávio Bolsonaro foi rejeitado, e a ministra não determinou a retirada do vídeo nem proibiu novas publicações do conteúdo. Também não foi aplicada multa aos responsáveis pela gravação.
O entendimento reforça que a Justiça Eleitoral deve evitar interferências excessivas no debate político durante as campanhas. Para justificar a retirada de uma publicação, não basta que o candidato considere o conteúdo ofensivo: é necessário demonstrar elementos que indiquem uma irregularidade que justifique a medida.
Assim, o vídeo que critica Flávio Bolsonaro e utiliza a expressão “mentiroso Master” poderá continuar circulando no Instagram, conforme a decisão da ministra Estela Aranha.







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