Governo federal amplia combate a incêndios no Amazonas com mais 5 aeronaves e reforço da PF e das Forças Armadas

Operação federal passará a contar com 16 aeronaves, incluindo um segundo KC-390 capaz de lançar até 19 mil litros de água; governo identifica suspeitos de queimadas criminosas e prevê prisões

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O governo federal anunciou neste sábado (17) a ampliação da operação de combate aos incêndios florestais que atingem o Amazonas. O reforço inclui o envio de mais cinco aeronaves, a mobilização de militares das Forças Armadas e o aumento da participação da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) nas ações de enfrentamento das queimadas.

Com a medida, a estrutura aérea disponibilizada para as operações no estado passará de 11 para 16 aeronaves. Entre os equipamentos adicionais está um segundo avião KC-390, da Força Aérea Brasileira (FAB), com capacidade para lançar até 19 mil litros de água em uma única operação.

A decisão ocorre em meio ao agravamento dos incêndios em diferentes regiões do Amazonas, que têm provocado danos ambientais e comprometido a qualidade do ar, especialmente em Manaus e Autazes.

Além do combate direto às chamas, o governo pretende intensificar as investigações sobre a origem dos focos de incêndio, diante de indícios de atuação criminosa. Na sexta-feira (16), o Ministério do Meio Ambiente informou que suspeitos de provocar queimadas já haviam sido identificados.

Uma comitiva de ministros e técnicos federais tem chegada prevista a Manaus neste domingo (18) para acompanhar as operações e avaliar a necessidade de novas medidas.

Reforço aéreo terá segundo KC-390 e helicópteros para áreas de difícil acesso

A ampliação da estrutura de combate aos incêndios terá como um dos principais recursos o avião KC-390, aeronave militar de transporte que pode ser adaptada para operações de combate a incêndios florestais.

O novo equipamento terá capacidade para lançar até 19 mil litros de água por operação. Ele se juntará a outro KC-390 já mobilizado no Amazonas, que pode despejar até 12 mil litros por saída.

O reforço também incluirá helicópteros destinados ao lançamento de água, ao deslocamento de brigadistas e ao transporte de equipamentos e suprimentos.

Essas aeronaves são especialmente importantes em regiões de floresta onde o acesso terrestre é limitado, dificultando a chegada das equipes de combate aos focos de incêndio.

Além dos meios aéreos, o Ministério da Defesa mobilizará militares para apoiar as operações, ampliando a capacidade de atuação em diferentes pontos do território amazonense.

O objetivo é acelerar o controle dos incêndios e fortalecer o suporte logístico às equipes que já trabalham no estado.

Operação federal já lançou 600 mil litros de água e extinguiu 317 incêndios

As ações de apoio federal tiveram início em 9 de outubro. Desde então, as aeronaves mobilizadas realizaram aproximadamente 260 horas de voo e lançaram cerca de 600 mil litros de água nas áreas atingidas.

Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), 317 incêndios foram extintos desde o começo da temporada de combate às queimadas.

O balanço demonstra a dimensão da mobilização necessária para enfrentar os focos de incêndio espalhados pelo Amazonas.

A combinação de altas temperaturas, períodos de estiagem e dificuldades de acesso a determinadas regiões amplia os desafios operacionais enfrentados pelos brigadistas.

O reforço anunciado pelo governo federal busca aumentar a velocidade de resposta às ocorrências, especialmente em áreas onde o fogo ameaça avançar sobre grandes extensões de vegetação.

As queimadas também têm consequências para a população urbana. Em Manaus, a fumaça dos incêndios comprometeu a qualidade do ar, com registros de poluição que chegaram a níveis nove vezes superiores ao valor de referência estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), conforme informações divulgadas pelo Metrópoles.

Polícia Federal investiga queimadas criminosas e governo prevê prisões

Além das medidas de combate às chamas, o governo federal decidiu reforçar a atuação das forças de segurança para investigar possíveis crimes ambientais.

A Polícia Federal deverá ampliar o apoio às investigações sobre a origem dos incêndios, enquanto a Polícia Rodoviária Federal atuará no patrulhamento de vias secundárias e no suporte às operações do Ibama.

Os efetivos adicionais e as atribuições específicas de cada corporação ainda serão definidos.

Na sexta-feira (16), o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que as autoridades federais já haviam identificado suspeitos de provocar incêndios criminosos em diferentes municípios amazonenses.

“Deveremos ter em breve notícias importantes já de prisão, porque vários desses criminosos foram identificados”, declarou.

A afirmação indica que as investigações estão em andamento e poderão resultar em medidas policiais contra pessoas suspeitas de envolvimento nas queimadas.

A identificação de suspeitos, entretanto, não representa comprovação definitiva de responsabilidade criminal, que dependerá do andamento das investigações e dos procedimentos legais.

Comitiva de ministros chega a Manaus para acompanhar operações

Uma equipe formada por ministros e técnicos do governo federal tem chegada prevista à capital amazonense neste domingo (18).

A missão contará com a participação de João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima; Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública; José Múcio Monteiro, ministro da Defesa; e Waldez Góes, ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional.

A presença dos representantes de diferentes ministérios busca coordenar as ações ambientais, militares, policiais e de apoio às regiões afetadas. Durante a visita, a comitiva deverá acompanhar a situação dos incêndios e o andamento das operações federais no estado.

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